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As sementes do Sol - o semeador

Título: As sementes do Sol - o semeador

Autor: Raimundo Carrero

Sinopse: Em “As sementes do sol – o semeador”, o desorientado Absalão, em seu combate obsessivo contra o pecado, tenta enfrentar um inimigo: aquilo que, supondo seja o pecado, é, na verdade, a própria condição da existência. Que dizer: para ser, Absalão quer des-ser; para viver, pretende anular aquilo que é. A consciência de que não pode escapar das contingências da carne se dá quando, enfim, se dispõe a combater seu destino. Então, ele suplica ao tio Lourenço: “Seja o meu demônio – é o que lhe peço”. E o tio, sofrido, mas lúcido, lhe responde: “Não sou demônio, mas tenho aqui na minha mão a sua alma”. Lourenço olha o sobrinho com a certeza de que, também nele, uma força vital se agita e quer existir; mas, num emaranhado de palavras e de terrores, Absalão a deixa escapar, isso quando não a sufoca. A idéia do pecado se torna, nesse caso, um escudo. É empunhando o brasão da pureza que Absalão abdica da vida. Quando, por fim, se inicia no sexo, o infeliz Absalão não consegue entender sua experiência como um ato de amor, mas, sim, de devassidão. “Agora estavam somente os dois no quarto. Um homem e uma mulher – esse louco combate da vida”, diz. Ele experimenta os fatos da existência como armadilhas, ou como provações. Como tentações. Agarra-se, apavorado, às palavras de Deus: “Uma palavra – foi o que pensou – é uma montanha. É preciso escalá-la, arrebentando-se para o Alto”. Nos relatos do jovem Carrero, o tempo passa, as histórias se desenrolam, as personagens morrem, mas algo parece nunca se esgotar: a experiência da dor. Mesmo quando a serenidade se impõe, bicho traiçoeiro, ela arrasta atrás de si o seu oposto. “Fechando os olhos, porém, Absalão percebeu que aquela era a leveza e a paz que antecedem o ódio”. O homem de Carrero está sempre traindo, nunca pára de trair e trair. “Jamais teremos os rostos iluminados e resplandecentes, enfeitiçados pela luz clara do Cordeiro. Estamos marcados na testa como escravos e ladrões”. Dor que vem desde as origens, como também o pecado. Pecado original, que se infiltra nos atos humanos e os desqualifica.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “As sementes do Sol – o semeador”, de Raimundo Carrero, publicado pela editora Coleção Recife, em 1981 e com 101 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Coleção Recife

Páginas: 101

Ano: 1981

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 8570440049

ISBN13: 9788570440044

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Raimundo Carrero traz um contraste marcante entre o lirismo e a crueza da realidade, alternando cenas de ternura e poesia com imagens fortes de violência e miséria. A prosa se mostra densa e por vezes áspera, com personagens que enfrentam conflitos internos profundos, como a luta contra o pecado, a solidão e a decadência social. O ritmo varia entre o contemplativo e o urgente, criando uma tensão constante que desafia o leitor a encarar temas como o sofrimento humano, a marginalidade e as contradições da existência. A narrativa pode ser tanto intimista, focando no drama pessoal e na subjetividade, quanto externa, ao expor o ambiente social e suas tensões. Os livros de Raimundo Carrero exploram ainda a intertextualidade e a repetição de personagens e situações, ampliando a complexidade da experiência de leitura.

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