
Título: Caixa Gonzalo Unamuno
Autor: Gonzalo Unamuno
Sinopse: Alguns atos são irreversíveis. Na melhor tradição de Ernesto Sabato, Ariel Magnus, Patricia Highsmith e Raymond Chandler, Unamuno traça, nesses livros, a “anatomia de um misógino”, desde suas origens até o cometimento de seu terrível ato final ― um atentado hediondo contra a mulher com quem se relaciona. Narrados com a crueza que marca a literatura latino-americana contemporânea, os livros de Unamuno são, ao mesmo tempo, um exercício de gênero e um estudo de personagem na medida em que exploram de modo literário temas como solidão, autodepreciação, comportamento obsessivo e a necessidade de pertencimento. Com tradução de Mauricio Tamboni, que recupera a dicção caótica da prosa de Unamuno, e artes de Vinícius Alves, que homenageiam o decadentismo setentista argentino e a estética neo-dada de David Carson, os livros reunidos nesta caixa confirmam Unamuno como uma das vozes mais singulares da literatura argentina atual. Em , um homem que vive num apartamento decadente e sujo em Buenos Aires expõe sua visão de mundo num discurso explosivo, melancólico e violento enquanto tenta lidar com a morte iminente da mãe, a recaída no vício e o trabalho medíocre de jornalista freelance. Escrito em reverso, como uma espécie de IRREVERSÍVEL, de Gaspar Noé, o livro expõe sem concessões as dores metafísicas e espirituais, os abismos e paradoxos do homem no início do século 21. Sua ironia ácida e labiríntica, que em vários momentos reverbera (ou quase reprisa) trechos dos monólogos de Travis Bickle em TAXI DRIVER, investe contra as pretensões do individualismo que forjou a geração que foi jovem no início dos anos 2000. O protagonista, Germán Baraja, é uma espécie de “homem do subsolo”, e experimenta uma aversão ao que enxerga como decadência urbana e política. Ele também se sente profundamente humilhado em relação à sua própria posição, e suas relações sociais vão escalando até culminar em um colapso que se reflete na linguagem torrencial e nas reações violentas cujo único propósito parece ser a pulsão de morte, a vontade de acabar com tudo. Em , Unamuno volta a esse personagem e intensifica sua voz, dessa vez para narrar a história de uma mulher que se torna vítima de um ato hediondo logo depois de noticiar que está grávida. Perverso, repulsivo e covarde, nesse segundo romance Baraja expõe fragmentos de sua relação com Lila a partir do desfecho fatal e revela sua própria impossibilidade de adaptação e empatia com o meio. A trama se confunde com a história de vida de Lila: sua infância como filha de um diplomata, sua antiga fama como atriz de televisão, sua saúde delicada e as aventuras de um ambiente familiar muito particular. Entretanto, longe de se arrepender de seu ato, Baraja encarna as reações mais violentas e doentias dos resquícios de uma misogini4 que insiste em reaparecer. Dono de uma prosa tão bela quanto contundente, Unamuno aposta, em LILA, num estilo duplicado: por um lado, o texto constrói um jorro verbal que não tem medo de seus exageros (o que lembra em muito Raduan Nassar em UM COPO DE CÓLERA); por outro, porém, escancara a aridez do tema incutindo-a em frases concisas. Assim, a vida glamorosa dos diplomatas, as perseguições da ditadura argentina e episódios de ab*so são narrados no mesmo tom monótono de um relatório burocrático dividido em seções, como se estivessem ali simplesmente cumprindo um papel protocolar, mas que acabam por revelar os estilhaços de uma sociedade doente de patriarcado.
Contexto da obra
Na ficção, o interesse por um livro costuma começar na história, mas não termina nela. “Caixa Gonzalo Unamuno”, de Gonzalo Unamuno, publicado pela editora PontoEdita, em 2024 e com 264 páginas, integra a categoria Livros de Ficção. Por isso, o livro tende a ganhar mais presença quando o leitor observa também como a história é contada.
Editora: PontoEdita
Páginas: 264
Ano: 2024
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6580232048
ISBN13: 9786580232048
