
Título: haverá festa com o que restar
Autor: Francisco Mallmann
Sinopse: - aguarde o peso da minha cabeça te afundar o peito espere que eu sonhe não saia daqui por enquanto sem sol o inverno jeito bruto faz notar que a minha cara bicho do mato vai envelhecer tanto quanto a sua, homem do mar pegue a sua bagagem finja fazer um chá planeje uma saída sem hostilidade me consulte o melhor roteiro do abandono faça uma cartografia do desaparecimento já tem tempo que ninguém nos anseia nem monstro nem planeta nem canção salve o meu corpo hipotérmico não esqueça de resgatá-lo nos buracos existentes na palavra embriaguez na palavra rejeição e na palavra brasil talvez com z essa é a nossa segunda cidade segundo país e você mente diz que foi só agora que a vaidade se tornou egoísmo (era antes o que?) ainda fujo dessa vez sem óculos de sol duas meias no pé casaco cachecol tudo marcando a casca lã ressentimento e saudade (Poema "se venho do frio se posso dançar", páginas 85 do livro "haverá festa com o que restar", de Francisco Mallmann)
Contexto da obra
Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “haverá festa com o que restar”, de Francisco Mallmann, publicado pela editora Urutau, em 2018 e com 102 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.
Editora: Urutau
Páginas: 102
Ano: 2018
Edição:
Linguagem: pt_BR
ISBN:
ISBN13: 9788569433927
Sobre a editora
A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.
