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Jornada de África

Título: Jornada de África

Autor: Manuel Alegre

Sinopse: Jornada de África tem como cenário a Guerra Colonial, traçando uma fotografia dos traumas e dúvidas provocadas por esta em Portugal na década de 1960. O livro descreve a situação de Portugal como um país de contradições, em plena ditadura salazarista, onde o medo dominava o sentimento popular ("A medo se falava, a medo se regressava de noite a casa, a medo se acordava, a medo se dormia, a medo o amor, a medo tudo"), mas também um país onde nasciam novos costumes ("não admira que os hábitos tivessem mudado. As raparigas entregavam a virgindade sem cálculo nem resistência. De certo modo era um desafio, uma forma de camaradagem") e a oposição ao regime. Sebastião, o protagonista, era um opositor ao regime, que viria a amar Bárbara, ela própria militante pela independência de Angola, logo sua inimiga.. Combatiam também contra esse regime os independentistas. Ao longo da obra é estabelecido um paralelo com a obra homónima de Jerónimo de Mendonça (Jornada de África, de 1607) que narra a batalha de Alcácer-Quibir. Além de Sebastião, surge também o escritor, com o nome Jerónimo de Mendonça, e todos os conspiradores têm nomes mencionadas na obra que retrata o desastre de Alcácer-Quibir. Sebastião apercebe-se rapidamente das coincidências que se prolongam ao longo da obra (Luís de Brito, soldado que combateu ao lado de Sebastião antes deste desaparecer é também o nome do último homem que viu el rei D. Sebastião vivo). Todo o livro é, assim, uma enorme metáfora e, simultaneamente, uma fotografia da crueldade de uma guerra à qual o protagonista e o autor têm dificuldade em compreender as razões que os levam a combater. Sobre este aspecto é de salientar as características autobiográficas da obra : Manuel Alegre foi também um milíciano na Guerra Colonial e um desertor (Sebastião desaparece: alguns questionam se terá morrido ou desertado), o que o levou ao posterior exílio. A linguagem utilizada é de grande beleza e mestria, sendo possível notar com clareza de que se trata de um romance escrito por um poeta, integrando algumas das mais belas e incisivas descrições de Portugal da década de 1960. Jornada de África é considerada uma obra diferente abordando corajosamente um dos temas mais melindrosos da História de Portugal do século XX.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Jornada de África”, de Manuel Alegre, publicado pela editora Dom Quixote, em 2007 e com 242 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Dom Quixote

Páginas: 242

Ano: 2007

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 9722034758

ISBN13: 9789722034753

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Manuel Alegre convida a um mergulho em uma prosa que oscila entre o poético e o narrativo, com uma delicadeza que se faz sentir especialmente nas suas histórias curtas. A tensão se constrói a partir de personagens que vivem entre o real e o fantástico, entre o íntimo e o coletivo, revelando uma busca constante por sentido e liberdade. O ritmo varia: há momentos de contemplação quase onírica e outros de narrativa mais direta, marcada por uma inquietação que atravessa suas tramas. O leitor é desafiado a acompanhar essa ambiguidade entre sonho e realidade, memória e presente, enquanto se depara com personagens que, mesmo em situações incomuns, carregam uma humanidade reconhecível. Essa experiência sensorial e intelectual é uma das marcas dos livros de Manuel Alegre, que exploram a complexidade das emoções e das relações humanas sem perder a leveza da linguagem.

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    Sobre a editora

    Os livros da editora Dom Quixote costumam oferecer uma experiência de leitura que mescla densidade histórica e humana, frequentemente explorando os efeitos do passado sobre a vida individual e coletiva. O catálogo apresenta narrativas que transitam entre o íntimo e o político, com personagens que enfrentam dilemas morais, memórias dolorosas e transformações sociais, seja em contextos de guerra, regimes autoritários ou mudanças culturais profundas. O tom varia do contemplativo ao tenso, com histórias que vão do romance histórico ao thriller, passando por relatos de sobrevivência e ficção especulativa. A linguagem tende a ser elaborada, convidando o leitor a uma reflexão cuidadosa, e o ritmo pode oscilar entre o meditativo e o urgente, conforme o tema.

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