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O Itinerário do Curativo

Título: O Itinerário do Curativo

Autor: Nicolas Behr

Sinopse: Quem busca uma cura faz qual caminho? E se a ferida não for aparente? Um livro de poemas trata o quê? Quer dizer, importa se são ou não poemas? Aliás, o que é curar? Nicolas Behr entende que é inútil querer eliminar a agonia, o choro, a melancolia, a ansiedade, a morte. Em O itinerário do curativo, o poeta propõe cuidar da obsessão, da paranoia, dos fantasmas, da ausência do pai, usando a palavra – dialogando com certa técnica psicanalítica para, talvez, diminuir a dor. Se a palavra aqui obterá o estatuto de poema, por vezes, pouco interessa. O livro também são questionamentos do que se pode considerar poético: “nem toda tentativa/ é poema”. Mas um traço fundamental da escrita de Nicolas é a provocação ambivalente. Numa espécie de livre associação textual, vai acrescentando contrários ao que já disse: “como é possível viver/ sem escrever poemas?”, “o que faz o corpo/ desejar tanto?”, “viver deveria bastar”, “é a neurose/ procurando um sentido”. Provavelmente este trabalho se diferencie dos demais por chafurdar em várias formas de elaboração psíquica. Contudo, suas publicações indicam ser um conjunto, conversam entre si. É evidente sua ligação mesmo com o primeiro livrinho do autor, Iogurte com farinha. Após alertar na capa “leia antes que azede”, aquele escrito mimeografado em 1977 trazia uma abertura que bem poderia estar n’O itinerário do curativo: “Tudo está bastante confuso, fragmentado; mas assim têm sido os dias que vivemos...”. Com quase meio século de poesia, Nicolas permanece fazendo do humor seu método de assimilação da cultura, meio de encontro com as pessoas e recriação da linguagem. Quando Manoel de Barros lançou seu penúltimo livro, Escritos em verbal de ave, usou como epígrafe um poema de Behr: "A infância/ É a camada/ Fértil da vida". Agora, neste Itinerário, há o texto "Visita ao túmulo de Manoel de Barros", mostrando que a conversa entre eles continua "ao nível das formigas, caramujos, lagartixas”. Foi durante a adolescência que li, pela primeira vez, um poema de Nicolas Behr. Estava no calendário colado à parede da cozinha da minha tia-avó. Mexeu comigo. Imagino quanta gente já foi (e é) mobilizada por seu trabalho. E mesmo num livro dolorido como este, transformando conflitos internos pela poesia, sua palavra teima em nos alimentar com a boa disposição do espírito.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “O Itinerário do Curativo”, de Nicolas Behr, publicado pela editora Reformatório, em 2022 e com 96 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Reformatório

Páginas: 96

Ano: 2022

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 6588091591

ISBN13: 9786588091593

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Nicolas Behr revela um universo poético marcado por contrastes intensos: entre a crueza da linguagem punk-decadente e momentos de delicadeza sensorial, entre a ironia mordaz e a melancolia que atravessa suas reflexões. Seus poemas frequentemente se ancoram em Brasília, transformando a cidade em personagem viva, ora musa, ora palco de tensões sociais e pessoais. A prosa poética se alterna entre o ritmo acelerado de versos curtos e a fluidez de associações livres, criando uma experiência que desafia o leitor a navegar entre o explícito e o ambíguo. A palavra, para Behr, não é apenas veículo de expressão, mas também instrumento de cura e provocação, muitas vezes questionando o próprio que é ser poema. Essa ambivalência, presente em seus textos, deixa no ar perguntas sobre a dor, o desejo e a resistência, tornando a leitura um exercício de imersão crítica e sensível. Em meio a humor ácido e erotismo, os livros de Nicolas Behr convidam a um encontro direto com a tensão entre o corpo e a cidade, o íntimo e o coletivo.

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    Sobre a editora

    Os livros da editora Reformatório convidam a uma experiência de leitura que mistura densidade literária e inquietação social, com narrativas que transitam entre o íntimo e o coletivo. O catálogo privilegia textos que exploram conflitos contemporâneos, como crises pessoais, políticas e culturais, muitas vezes ambientados em contextos brasileiros ou latino-americanos que ganham contornos de tensão e urgência. A prosa e a poesia aqui dialogam com temas como a memória, a dor, a busca por sentido e a crítica social, em estilos que podem variar do vigoroso thriller à reflexão lírica e ao relato fragmentado. Há obras que se debruçam sobre personagens em momentos de virada, seja na velhice, na juventude ou em situações-limite, revelando um interesse por trajetórias humanas complexas e multifacetadas. No conjunto, o leitor encontra textos que não se acomodam em fórmulas fáceis, mas que mantêm um ritmo que alterna entre a intensidade e o lirismo, convidando à imersão e à reflexão.

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