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Poética de se afogar em conchas

Título: Poética de se afogar em conchas

Autor: Vanessa Caspon

Sinopse: "Uma concha, até onde sei, serve para proteção, redoma de vidro que fecha, isola, guarda. Então é como se Vanessa Caspon e seus afogados perguntassem ao leitor: o que fazer com uma concha que não fecha, não isola, não guarda? Daí que o herói, nestas páginas, só é herói se vencido. Daí que o isolamento ideal e o isolamento perfeito não conseguem se manter, é que as ilhas todas sozinhas possuem um mesmo / título, elas podem compor um continente inteiro. Daí a Via Láctea toda se esconder dentro de uma concha junto de Robert Frost, Miles Davis, John Coltrane e o mais importante de um casal que se beija sob o céu. É que tirar a concha da praia é perder a concha, ou melhor, o mundo. É que mantê-la na praia é perder a praia, ou melhor, perder o mundo de outro jeito. E se o que saísse do lugar não fosse a concha, mas o próprio lugar? Daí a surpresa da transformação dos lugares que trocam de lugar. Isso acontece tanto na fluência dos versos de Vanessa quanto pontualmente em algumas de suas imagens. Exemplo, a quebra de expectativa através de um verso simples como este: quando se ouve o canto das bolhas. Jogando com o apelo marítimo do livro, é como se o leitor esperasse pelo canto das baleias. Mas o que ele ouve é o ploc das bolhas / de seus mascar de chicletes. Outra coisa nestas páginas um manual é o aprender a rimar com menos rimas do que com celulares ultrapassados ou outras formas de comunicação em fuga. Daí toparmos com o zumbi de seriado que leu Adília Lopes com Flora Sussekind e Josefina Ludmer e que diz algo sobre a poesia: A autonomia já morreu / já faz tempo. Daí a moça de um dos poemas dar adeus aos discursos do jovem poeta do rádio para ir condicionar seus cabelos ao chuveiro, tarefa muito mais importante. Entre alguns dos pontos altos do livro estão, por exemplo, o bonito sylvia plath e ted hughes brigando na barraca de frutas e o curioso selfie geracional ter mais de 20, para não falar do penúltimo poema, comovente mensagem sem retorno, espécie de garrafa ao mar em São Paulo. Sobre ele, é como se Milton Nascimento outro afogado presente aqui cantasse: Invento o cais e sei a vez de me lançar"." (por Leonardo Gandolfi)

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Poética de se afogar em conchas”, de Vanessa Caspon, publicado pela editora Editora Patuá, em 2014 e com 100 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Editora Patuá

Páginas: 100

Ano: 2014

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 8582971079

ISBN13: 9788582971079

    Sobre a editora

    Os livros da editora Editora Patuá costumam apresentar uma leitura que combina poesia e narrativa com uma linguagem que transita entre o lírico e o coloquial. A experiência de leitura frequentemente envolve uma densidade emocional marcada por temas como a busca por identidade, a memória afetiva e os conflitos internos, muitas vezes explorados em formatos que vão do poema ao conto e à crônica. O tom pode variar entre o melancólico e o irônico, com narrativas que ora se apoiam em uma escrita mais experimental e fragmentada, ora em um estilo mais direto e acessível. O catálogo sugere uma presença forte de vozes jovens e contemporâneas, além de obras que dialogam com questões sociais e existenciais, sem se prender a um único gênero ou ritmo.

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