
Título: A Cicatriz De Marilyn Monroe
Autor: Luís Augusto Contador Borges
Sinopse: O OLHAR DO FOTÓGRAFO, O OLHAR DO POETA Nascida Norma Jeane, Marilyn Monroe tinha lampejos como: “Primeiro preciso convencer a mim mesma de que sou uma pessoa. Depois talvez me convença de que sou uma atriz”. É imediato associar tal inquietação à ironia de um Álvaro de Campos: “Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti e perdi-me”, ou à de um Bernardo Soares: “Sonhar é muito mais prático que viver”. Fernando Pessoa é talvez quem esteja mais à mão, mas poderíamos pensar em vários outros poetas, artistas e pensadores com os quais Marilyn dialoga, de Nietzsche a Deleuze, todos empenhados em estabelecer o limite entre norma e exceção, verdade e mentira – a vertiginosa perquirição da identidade em crise. Tal é o entrecho do poema dramático A cicatriz de Marilyn Monroe, longo monólogo em que Marilyn divide a cena com seu duplo, Norma (ou seria o contrário?), enquanto aguarda a chegada do fotógrafo da Vogue. Enquanto espera, Marilyn mergulha fundo em si mesma, disposta a se revelar por inteiro, e diz, brincalhona e fatal, ao fantasma do fotógrafo: “Vamos ver se você segura o tranco, se é bom de câmara, / se a alma não sai pela boca quando eu ficar bem perto, / à queima-roupa, e abrir os olhos / para além da metáfora de florir”. Mirando-se no espelho, Norma reconhece: “Perdi a vida por amar o disfarce”. Mas imediatamente em seguida, na mesma frase, Marilyn retruca: “o artifício é o dom / dos que não se contentam com pouco e cavalgam alheios / no pelo lustroso da Ursa Maior”. Para retardar o instante da revelação, cada cena é antecedida do seu respectivo “plano” – voz neutra de um narrador que, à semelhança do coro na tragédia grega, convida o leitor a acompanhar de perto o drama do ser que sabe: a mentira não existe; mentir é só uma forma de dizer a verdade. Em suma, poesia da melhor qualidade, amorosamente extraída de um dos mitos do nosso tempo, essa fulgurante Marilyn Monroe/Norma Jeane, que enquanto aguarda o fotógrafo da Vogue é flagrada pelo olhar inquieto do poeta Contador Borges. Carlos Felipe Moisés
Contexto da obra
Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “A Cicatriz De Marilyn Monroe”, de Luís Augusto Contador Borges, publicado pela editora Iluminuras, em 2021 e com 96 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.
Editora: Iluminuras
Páginas: 96
Ano: 2021
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 8573213728
ISBN13: 9788573213720
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,015
- Altura (cm): 19,00
- Largura (cm): 14,00
- Espessura (cm): 3,00
Sobre a editora
Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.
