Skip to content Skip to footer
A Igreja da Renascença e da Reforma (I)

Título: A Igreja da Renascença e da Reforma (I)

Autor: Daniel-Rops

Sinopse: A velha barca de Pedro já tinha atravessado muitas tormentas no decorrer do quase milênio e meio que durava a sua história, mas aquela que se avizinhava em meados do século XIV fazia pressentir que seria a pior. Os duzentos anos que vão de 1350 a 1550, sobre os quais está centrado este volume da História da Igreja de Cristo, assistiram à agonia do ideal que inspirara a Idade Média, o sonho da Cristandade, imerso agora numa tríplice crise: de autoridade, de unidade e das consciências. Não era apenas mais uma época de dificuldades: era o fim de um mundo, ainda que não o fim do mundo, e ameaçava arrastar consigo a Igreja no seu naufrágio. Num primeiro momento, com o retorno de Gregório XI a Roma, graças aos esforços de Santa Catarina de Sena, podia-se alimentar a esperança de que o término do “exílio” do papado em Avinhão tivesse resolvido as questões mais graves. Mas já em 1378 o Grande Cisma do Ocidente dividiria as fidelidades dos cristãos entre papas e antipapas, até que, depois de quase trinta anos, o Concílio de Constança viesse a pôr fim à angústia das almas. Pouco depois, em Basiléia, seria o próprio concílio que se voltaria contra o Papa, procurando submeter o Vigário de Cristo à assembléia conciliar e diluindo a estrutura da Igreja numa pseudodemocracia autodissolvente. A crise dos espíritos não se manifestava apenas na cabeça. A França debatia-se ainda na Guerra dos Cem Anos quando Santa Joana d’Arc polarizou pela primeira vez as aspirações de toda uma nação. Na Inglaterra e na Boêmia eclodiam entre o povo os movimentos revoltosos de Wiclef e Huss, de inspiração tanto nacionalista como religiosa. Ao mesmo tempo, a vaga turca crescia, submergindo os restos do Império Bizantino e ameaçando afogar a Cristandade inteira. Enquanto o papado ainda firmava os pés, e no seio das turbulências políticas, borbulhando numa confusão criadora que se estendia da arquitetura às letras, das artes à astronomia, nascia o humanismo: cristão nos seus maiores representantes, como Thomas More e Erasmo de Rotterdam, mas também dotado de um inquietante caráter anticlerical e paganizante. A certa altura, com as controversas figuras dos papas da Renascença, e apesar do furor cego de um Savonarola, pôde-se chegar a pensar que a Igreja estivesse descristianizada no seu coração. Mas o pior ainda estava por vir: dos tremendos dramas de consciência do jovem monge Martinho Lutero nasceria em 1520 o dilaceramento protestante. Confuso e hesitante no início, o movimento em breve receberia a sua estrutura teológica e a sua disciplina da férrea e glacial soberba de Calvino. Mas, dividido em mil seitas e facções, erguendo-se em sangue e fogo no anabatismo alemão e holandês, esmagado aqui e alentado ali pelas intrigas dos estados nascentes, a “reforma” logo confirmaria a verdade da frase de Péguy: “Tudo começa em mística e acaba em política”. É o cisma anglicano de Henrique VIII, a estratégia hesitante de Carlos V, as sangrentas perseguições de Eduardo VI e Maria Tudor, a ambivalente tolerância de Francisco I... Serão tudo sombras nesse quadro? É preciso dizer que não. Se a Europa central e do norte ameaçam ruir sob os golpes combinados de turcos e protestantes, no outro extremo, sob Fernando de Aragão e Isabel de Castela, a Espanha ultima a Reconquista e, na esteira de Portugal, lança as bases da conquista e da construção de um Novo Mundo. Também não falta, nessa cristandade descarrilada e exaltada, um renascimento da piedade que propicia a descoberta da dimensão íntima da pessoa e da devoção afetuosa à Santíssima Humanidade de Cristo: a devotio moderna. E se alguns papas não souberam situar-se pessoalmente à altura das exigências do seu cargo, devemos reconhecer que nunca conspurcaram a pureza da fé e que, em muitos aspectos, desempenharam um papel histórico no qual não se pode deixar de entrever o dedo da Providência. Por outro lado, enfrentando tragicamente a Igreja, foi o protestantismo quem a obrigou a sair do mar de lama, de facilidades e de conivências em que se atolava. Sem ele, sem o medo que suscitou, teria a Igreja empreendido a reforma autêntica, levada a cabo na fidelidade e na disciplina, cuja necessidade tantos espíritos reconheciam mas tão poucos homens de caráter ousavam realizar? Dialeticamente, foi de Wittenberg, Augsburgo e Genebra que saiu a Igreja do Concílio de Trento, confirmando com uma força até então insuspeitada as palavras de São Paulo: É preciso que haja hereges (1 Cor 11, 19). Tal é o paradoxo de uma instituição composta por homens, mas guiada pelo Espírito Santo.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “A Igreja da Renascença e da Reforma (I)”, de Daniel-Rops, publicado pela editora Quadrante, em 1996 e com 526 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Quadrante

Páginas: 526

Ano: 1996

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 0000047937

ISBN13: 9780000047939

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Daniel-Rops conduz a um mergulho denso e detalhado na história da Igreja, onde fatos e personagens ganham vida com uma prosa precisa e sóbria. O ritmo é contemplativo, convidando o leitor a refletir sobre os embates entre fé, razão e política ao longo dos séculos, sem pressa ou superficialidade. A narrativa equilibra momentos de tensão dramática — como crises, revoluções e conflitos — com perfis humanos que humanizam grandes eventos. O tom é respeitoso e objetivo, sem sentimentalismos excessivos, mas com um olhar atento às contradições e desafios enfrentados. Essa experiência é marcada por uma construção que privilegia o entendimento das forças espirituais e históricas em jogo, deixando no leitor a questão do papel da Igreja na transformação das civilizações.

    Ver mais sobre o autor

    Sobre a editora

    Os livros da editora Quadrante convidam o leitor a um mergulho profundo na espiritualidade cristã e na reflexão teológica, com obras que exploram desde a vida de santos e figuras religiosas até temas como a consciência, a amizade com Deus e o sentido da existência cotidiana. O tom predominante é sério e contemplativo, com narrativas que mesclam análise histórica, meditação pessoal e ensinamentos práticos, sempre pautados em textos sagrados e na tradição católica. O ritmo das leituras varia entre o didático e o intimista, favorecendo uma experiência de leitura que estimula a interiorização e o crescimento moral. O catálogo revela obras que abordam tanto momentos históricos da Igreja quanto questões atuais da fé, com uma linguagem acessível, porém densa em conteúdo.

    Ver mais sobre a editora

    Leave a comment

    E-mail
    Password
    Confirm Password
    0
      0
      Seu Carrinho
      Carrinho VazioContinue Comprando
      0,0
      (0 avaliações)
      Clique no livrinho correspondente para avaliar.