
Título: A menina que carrega oceano na cabeça
Autor: Filomena Chiaradia
Sinopse: — Já sei, já sei o que vai dizer: como assim ter a própria voz? Se minha voz sai de baixo d’água, como vão entender? Te digo: não sei. Não sei como vão entender. E na verdade, te pergunto: e quando você falava por mim, será que entenderam? Tantos fragmentos, tantos pensamentos soltos, tantos sentimentos vagando no oceano. Será que entenderam? Se, por um lado, escuto, fragmentadamente, as várias vozes d’A menina que carrega oceano na cabeça, e as vozes daquelas que se cruzam com ela, por outro Filomena faz com que eu imagine visualmente cada uma delas (uma protagonista com dores justificadas e necessárias de pescoço, Manoel [de Barros], um ventilador ou uma bicicleta) circulando num universo tão particularmente terno quanto dialético. São, de facto, os diálogos ou a conversa gigante que a menina tem com ela mesma que motivam e marcam os segmentos verbais desta odisseia individual. Escrever é preciso, viajar não é preciso. Não é sobre travessias ou travessuras que a Menina está a pensar. Pensa nos modos. Nos modos que as letras, as frases e os pensamentos movimentam. A travessia, de quem se endireita permanentemente sob as dificuldades de suportar o oceano sobre os ombros, materializa-se, portanto, na palavra; e a diversidade polifónica d’A menina corresponde, de modo inequívoco, à hibridez formal que se desenvolve invariavelmente entre géneros: microconto, prosa poética, poema, carta? Não há como definir A menina que carrega oceano na cabeça. E é precisamente da liberdade da indefinição que Filomena está falando. — Não sei se entenderam. Sei que contei suas histórias da forma que me chegavam. Se você estava confusa, talvez eu não tenha conseguido desfazer a confusão. Respeitei o que dizia, não quis interferir e nem criar nada. Se calhar estava errado. Talvez fosse melhor se tivesse inventado umas coisinhas ali e aqui. Patrícia Lino
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “A menina que carrega oceano na cabeça”, de Filomena Chiaradia, publicado pela editora Urutau, em 2024 e com 112 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Urutau
Páginas: 112
Ano: 2024
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6559007529
ISBN13: 9786559007523
Sobre a editora
A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.
