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A nova mão afrobrasileira

Título: A nova mão afrobrasileira

Autor: Emanoel Araújo

Sinopse: A Nova Mão Afro-Brasileira reúne obras de artistas visuais afrodescendentes em torno de diferentes proposições estéticas, destacando a presença negra na produção artística contemporânea brasileira. Com curadoria do artista e gestor cultural Emanoel Araújo (1940), a exposição A Nova Mão Afro-Brasileira é inaugurada no Museu Afro Brasil, em São Paulo, em 20 de novembro de 2013, dia da consciência negra, que lembra a morte do líder Zumbi dos Palmares (1655-1695). A mostra marca também os 25 anos do livro e da exposição intitulados A Mão Afro-Brasileira: Significado da Contribuição Artística e Histórica, em comemoração aos 100 anos da Abolição da Escravatura no Brasil. Ocorrida em 1988, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, também com curadoria de Emanoel Araújo, a exposição reúne e recupera obras de artistas negros atuantes desde o período colonial. O título da mostra, mais do que evocar a ideia de um fazer artístico ligado ao trabalho das mãos, tem por objetivo dar novo sentido à exposição de 1988, que busca tornar visível a influência do elemento africano na cultura brasileira. O foco da mostra de 2013 recai sobre a apresentação de novos artistas, que vêm propondo algumas das questões mais instigantes da arte moderna e contemporânea. A mostra homenageia artistas que participam da exposição de 1988, entre elas a pintora, gravadora e professora Yêdamaria (1932-2016), que traz pinturas de naturezas-mortas delicadas e luminosas da última fase de sua carreira, e a pintora Maria Lídia Magliani (1946-2012), que exibe a série Cartas, pinturas que dialogam com a linguagem da colagem. A escolha dos trabalhos não é norteada pelo diálogo com uma ancestralidade africana, mas esta pode ser notada em abordagens muito distintas, nas obras de artistas basilares como Rubem Valentim (1922-1991) e o escultor Maurino de Araújo (1943-2020), um dos homenageados pela mostra. O primeiro sintetiza geometricamente símbolos religiosos afro-baianos, e o segundo funde figurações cristãs e africanas que remetem à imaginária barroca. A identidade afro-brasileira é evocada também nas performances/rituais do artista Ayrson Heráclito (1968), registradas na série fotográfica Bori - Oferenda à Cabeça (s/d). Já a questão da autorrepresentação negra marca pinturas como O Estrangeiro (2011), de Sidney Amaral (1973), e a instalação Ama de Leite (2007), de Rosana Paulino (1967). Explorando linguagens abstratas em suportes não convencionais, no limite entre a figuração e o simbólico, estão as estruturas orgânicas quase monocromáticas de Advânio Lessa (1981), em palha e madeira, assim como a série Torções (s/d), de Sônia Gomes (1948), composta de construções abstratas de cores e texturas de pedaços de tecidos, e a série Cambraietas (s/d), em que Izidorio Cavalcanti (1965) constrói tessituras sobre recipientes de vidro retirados do cotidiano. Outros trabalhos voltam-se mais diretamente para a experiência urbana, como a pintura mural Mata (2013), de Pedro Marighella (1979), que se aproxima do graffitti, e Parada Gay (2012), montagem fotográfica com bonecos playmobil, de Heberth Sobral (1984). A concepção expográfica diminui as distâncias e hierarquias entre trabalhos pertencentes a diferentes períodos, estabelecendo diálogos entre as obras contemporâneas e a seção histórica, composta de obras produzidas desde o século XVIII, passando por importantes pintores oitocentistas como Estevão Silva (1844-1891) e Arthur Timóteo da Costa (1882-1922)1. O texto curatorial apresenta a exposição como fruto de uma necessidade estética, social e ética de reconhecimento da influência africana na formação da cultura brasileira. Essa preocupação também permeia a escolha dos eventos que marcam a abertura da mostra: debate com os artistas expositores, show do cantor e compositor Riachão (1921-2020), performance do artista multimídia Renato Matos (1952), apresentação do grupo Maracatu Bloco de Pedra, e a exibição do filme Hereros – Angola (2013), de Sérgio Guerra (1961). A mostra dá continuidade ao debate sobre o emprego do termo afro-brasileiro para designar essa produção nascida num contexto de miscigenação. Ela coloca a questão no âmbito cultural e não no campo biológico, como o termo afrodescendente pode sugerir2. A Mão Afro-Brasileira é a primeira exposição de grande projeção a utilizá-lo para definir sua linha curatorial, e sua contundência acaba reverberando no nome do Museu Afro Brasil, fundado em 2004, e na exposição de longa duração de seu acervo, nomeando o núcleo “Artes plásticas: a mão afro-brasileira”, dedicado à produção visual desde o período colonial. Ainda que exposições como A Mão Afro-brasileira, Negro de Corpo e Alma (2000), Negras Memórias, Memórias de Negros: O Imaginário Luso-afro-brasileiro e a Herança da Escravidão (2003) reúnam obras representando negros ou produzidas por artistas com essa origem, A Nova Mão Afro-brasileira, e outras exposições que a sucedem, marca um momento de posicionameno sobre a autorrepresentação negra nas artes visuais, apresentando artistas afrodescendentes como produtores de significações e não apenas como tema. A Mão Afro-brasileira dá visibilidade à produção visual negra e amplia o conceito de arte afro-brasileira, apresentando obras que trazem uma grande diversidade de questões que perpassam os debates da arte no século XXI.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “A nova mão afrobrasileira”, de Emanoel Araújo, publicado pela editora sem, em 2016 e com 224 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: sem

Páginas: 224

Ano: 2016

Edição:

Linguagem: português

ISBN:

ISBN13:

    Sobre a editora

    Os livros da editora Sem apresentam uma variedade de narrativas que transitam entre o suspense policial ambientado em cenários exóticos e urbanos, histórias de amadurecimento com toques de mistério, e relatos que exploram relações humanas complexas em contextos históricos e culturais específicos. A experiência de leitura costuma ser marcada por um tom tenso e investigativo em muitos títulos, enquanto outros adotam uma abordagem mais intimista e reflexiva, com ritmo que varia entre o envolvimento emocional e a construção gradual de atmosferas densas. O catálogo sugere um interesse por temas como conflitos sociais, segredos pessoais, e a presença de elementos culturais ou míticos que permeiam as tramas, criando contrastes entre o real e o simbólico.

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