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A tarde dum fauno e um lance de dados

Título: A tarde dum fauno e um lance de dados

Autor: Stéphane Mallarmé

Sinopse: O poema O Fauno ou A Tarde dum Fauno, poderosa estrutura verbal, em tudo superior ao Lance de Dados, foi recusado pela revista Parnasse Contemporain em 1875, ainda que apresentando métrica e rima “oficialmente aceites”. A sua celebridade dever-se-á, decerto, ao Prelúdio escrito pelo compositor Claude Debussy em 1894, o que é injusto. Organizado em função da estrutura parnasiana que eu tive todo o prazer em trair ao traduzir, nele a natureza e o desejo estabelecem um diálogo de paixão que supera os referentes clássicos e os luminosos sinais do simbolismo que, na época, teriam sido o principal motivo da recusa da sua publicação naquela revista. A sensualidade que atravessa o texto não apresenta qualquer marca mental que nos indique o caminho para o árido Absoluto, nem o Verbo parece resultar dum pensamento impotente em equilibrar-se no espaço vazio da Ideia. (…) O Lance de Dados é, como se sabe, o último poema de Stéphane Mallarmé, publicado em 1897, um ano antes da sua morte no lugar de Valvins, junto a Fontainebleau. Como também é sabido, o que surgiu depois foi publicado contra a vontade expressa do poeta. Estamos muito, já muito longe dos “fogosos impulsos” do Fauno e definitivamente encaminhados para a prosódia da imutabilidade do Nada. Em Abril de 1893, o poeta teria afirmado: “Nos meus últimos dias joguei um pouco da minha vida”. Não se dirá que seja profecia, quando se sabe que ao longo de uma existência de 56 anos, Mallarmé, adulto e literato, sempre tentou jogar a sua vida. Mas, como se diria em gíria futebolística, sempre jogou em casa, ao contrário do “andarilho” Rimbaud. Por isso, nada melhor que, na “dúvida do Jogo Supremo”, forçar a palavra ao intemporal dos cristais perdidos, dos logaritmos e da impotência, tendo em conta que o real, na sua plenitude possível, e ncobre e desvela sem nos consultar, criando em nós a angústia do mistério de todos os acasos dos quais esse real é o único senhor. (…)

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “A tarde dum fauno e um lance de dados”, de Stéphane Mallarmé, publicado pela editora Relógio D'água, em 2001 e com 82 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Relógio D'água

Páginas: 82

Ano: 2001

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 9727086292

ISBN13: 9789727086290

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Stéphane Mallarmé é uma experiência que exige atenção e entrega a uma linguagem densa e musical, onde a palavra se torna força criadora. O ritmo varia entre a precisão lapidada e a fluidez labiríntica, criando uma tensão entre o visível e o ausente, o concreto e o abstrato. A prosa e o verso se entrelaçam para construir imagens que evocam um vazio iluminado, quase palpável, que desafia o leitor a navegar por entre símbolos e metáforas que sugerem tanto o mundo sensorial quanto uma esfera ideal e filosófica. As obras frequentemente exploram a ausência, o silêncio e a fragmentação, deixando no ar perguntas sobre o sentido do real e do ideal. Em meio a essa complexidade, há momentos de clareza que convidam a uma contemplação profunda, ainda que nunca definitiva.

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    Sobre a editora

    Os livros da editora Relógio D'Água apresentam uma leitura que mescla densidade intelectual e narrativa envolvente, transitando entre a poesia, a filosofia e a ficção literária com forte carga reflexiva. As obras frequentemente exploram tensões entre pensamento e ação, passado e presente, individual e coletivo, criando atmosferas que oscilam entre o íntimo e o universal. O ritmo das narrativas varia, podendo ser contemplativo e psicológico em alguns casos, ou marcado por conflitos morais e políticos em outros, sempre com uma linguagem que privilegia a precisão e a profundidade. O catálogo sugere uma atenção especial a temas como a condição humana, o poder, a memória e as contradições sociais, com textos que dialogam tanto com a tradição clássica quanto com questões contemporâneas.

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