
Título: Abobrinhas da Brasilonia
Autor: Boas Vilas
Sinopse: Quando conheci o Glauco fiquei duplamente feliz. Primeiro porque ele trouxe um certo alívio ao humor brasileiro e segundo porque, enfim, havia encontrado um nariz maior que o meu. Aliás, muito maior. Tanto que ao desenhar sempre borra de nanquim a ponta do dito cujo. Mas deixando o nariz de lado – o que é difícil devido ao seu tamanho – Glauco chegou arrasando. Os carrascos habitavam com desenvoltura o humor brasileiro. Nós, cartunistas, com raras exceções, tratávamos essas repelentes figuras como um monstro invencível. Efeitos de uma época. Mas Glauco apareceu com um cartum onde o torturado, pendurado pelas mãos por fortes correntes, estica a perna para alcançar o traseiro do sisudo carrasco e, com cara de safado, diz: “Bundão, hein!?”. Quebrou tudo! Foi-se pras picas toda aquela oposição respeitosa que fazíamos nos últimos anos do governo Geisel. Não sei se é pelo comprimento de seu nariz, mas Glauco está sempre na frente. Seus bonequinhos saltitantes, neuróticos, cheios de membros (braços e pernas, não me entendam mal!), têm todos a mesma cara. Sim! É verdade. Nos cartuns do Glauco tanto o oprimido quanto o opressor têm a mesma fisionomia. Eles trepam, brocham, escovam os dentes, fazem cocô, têm medos e se borram todos. Nosso demônio narigudo não perdoa nenhum dos dois. Ele simplesmente mostra o quanto é ridículo esta coisa chamada ser humano, seja ele poderoso ou não. Depois de tanta galhofa ficou besta aquela postura de humorista deputado. Glauco, em companhia de seu nariz, desarticulou o aparelho e tornou públicas nossas fraquezas. Mostrou que humorista só presta mesmo pra fazer humor e mais nada. Fodam-se as palavras de ordem porque agora o nervo está exposto, e se alguém abaixou as calças e mostrou a bunda este alguém se chama Glauco, que, diga-se de passagem, não tem lá uma bunda das melhores. Mas nem Glauco nem seu nariz sabem de tudo isso. Parece que fazem tudo na orelhada. Melhor assim. Caso contrário se tornariam uns chatos.
Contexto da obra
Nos mangás, HQs e quadrinhos, o contexto do livro costuma nascer do encontro entre imagem, ritmo e narrativa. “Abobrinhas da Brasilonia”, de Boas Vilas, publicado pela editora L&PM, em 2008 e com 112 páginas, integra a categoria Mangás, Hqs e Quadrinhos. Na prática, isso ajuda a perceber melhor o papel da linguagem visual na experiência do livro.
Editora: L&PM
Páginas: 112
Ano: 2008
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 8525417254
ISBN13: 9788525417251
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,080
- Altura (cm): 17,80
- Largura (cm): 10,70
- Espessura (cm): 0,70
Sobre a editora
Os livros da editora L&PM oferecem uma experiência de leitura que transita entre o clássico e o contemporâneo, com obras que exploram desde narrativas densas e filosóficas até histórias leves e envolventes. O catálogo traz tanto romances policiais com tramas intricadas e personagens que investigam mistérios quanto crônicas e relatos de viagem que evocam imagens vívidas de culturas e lugares distantes. Há um cuidado evidente com a diversidade de temas, que vão da literatura juvenil e infantojuvenil até obras de não ficção sobre comportamento e história, sempre com uma linguagem acessível e um ritmo que pode variar entre o mais reflexivo e o mais ágil.
