
Título: Anésia Cauaçu
Autor: Domingos Ailton
Sinopse: Sim, uma vez mais, o regionalismo: Anésia Cauaçu, romance do jequieense Domingos Ailton, que o leitor terá o prazer de ler a seguir. Mas sendo este o ''leitor informado'' de que nos fala Umberto Eco, em Sobre a literatura (2003), certamente poderão advir-lhe uma certa desconfiança e uma pergunta irrefreável: regionalismo cabe dentro da ficção pós-modernista? Eu lhe respondo que sim, que não são incompatíveis o de de-dentro e o de-fora. Complementam-se. Um está no outro. Sempre foi assim, sempre será. Ainda mais hoje com o Pós-modernismo e sua poética da inclusão. Haja vista para a obra dos também baianos João Ubaldo Ribeiro, Antônio Torres e Euclides Neto, este último, ''grapiúna'', injustamente desconhecido, apesar de sua admirável força telúrica, social e ficcional. Deste modo, Anésia Cauaçu tem um pé na História, outro na ficção. Aliás, como quer o Pós-modernismo, que não exclui (Como poderia?) o passado do presente e do futuro. Daí a ''metaficção historiográfica'', conhecido sintagma de Linda Hutcheon, em Poética do pós-modernismo (1991). Assim, a conterrânea do Autor, que está na História de Jequié e da Bahia, transforma-se em personagem ficcional. Mais: Anésia Cauaçu atua como protagonista e, neste sentido, tem a ver, novamente, com o Pós-modernismo. Vale dizer, a mulher se impondo, tendo vez e voz. Certo, Maria Moura, de Memorial de Maria Moura (1992), de Raquel Queirós, e Albertina, de A enxada e a mulher que se venceu o seu próprio destino (1996), de Euclides Neto - para citarmos apenas duas outras protagonistas ''marginais''- precedem Anésia, como representação ficcional da mulher pós-moderna, ainda que vindas do mundo rural e pela pena, melhor, pelo teclado de um homem. Isto, por ora, é o de menos.O de mais é o que vem pelo plano do conteúdo do romance: a natureza e a cultura humanas e não humanas. Sim, uma vez o regionalismo. Mais isto não implica pensarmos em xenofilia, em xenofobia. Neste passo, nunca é demais lembrarmos o russo Tolstoi: ''Canta a tua e serás universal''. Do romance regionalista-histórico Anésia Cauaçu, do frade Domingos Ailton, não direi mais nada nesta orelha: não tenho o direito de tirar do leitor o prazer do texto, que sempre fala melhor sobre si.
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Anésia Cauaçu”, de Domingos Ailton, publicado pela editora Via Litterarum, em 2011 e com 320 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Via Litterarum
Páginas: 320
Ano: 2011
Edição:
Linguagem: português
ISBN:
ISBN13:
Sobre a editora
Os livros da editora Via Litterarum convidam o leitor a um passeio por universos narrativos que mesclam regionalismo, memória e imaginação. A experiência de leitura frequentemente traz personagens ancorados em lugares específicos, como cidades do interior da Bahia, ou em espaços simbólicos, como bares históricos, que ganham dimensão universal. O catálogo apresenta obras que transitam entre o real e o fantástico, com contos e romances que exploram temas como relações familiares, solidão, humor irônico e a busca por sentido na vida cotidiana. Há também uma presença marcante de textos voltados para o público infantil, que valorizam a fantasia e a criatividade em ambientes mágicos. A diversidade editorial da Via Litterarum revela um equilíbrio entre narrativas mais densas e reflexivas e outras que privilegiam o lúdico e o colorido, compondo um catálogo rico em tonalidades e ritmos.
