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Cabine 33

Título: Cabine 33

Autor: Carlos Lúcio Gontijo

Sinopse: Armado em torno de um tema antigo, mas sempre atual, o da solidão e da angústia humanas, o que mais me agrada neste romance é o estilo elegante e despretensioso com o qual o autor consegue desfiar o novelo do drama psicológico que serve de su-porte ao tema: um mistério cuja complexa estrutura contrasta com a narrativa simples e transparente, utilizada na construção de com-plicadas situações existenciais. A partir de um encontro casual de dois conhecidos – um ven-dedor-poeta e um engenheiro-professor – durante uma viagem de trem pelo interior de Minas, Carlos Lúcio Gontijo vai revelando, com sensibilidade e delicadeza, o drama íntimo de Dimas, o ven-dedor, em seus crescentes diálogos com o engenheiro. Obcecado por uma relação amorosa mal resolvida, e pela "pre-sença de alguém que sumiu do mapa, mas ainda ocupa toda a geo-grafia do seu interior", dúvidas cruéis o atormentam. Com habi-lidade artesanal, consciência social e profunda visão de mundo, "...fiando assunto linha afora”, o autor vai envolvendo e provo-cando o leitor. A angústia e a solidão do homem contemporâneo, sua dificul-dade em estar num mundo que não compreende e no qual não se reconhece, são elementos que permeiam as longas conversas dos amigos. Em seu relato, Dimas faz menção a dois tempos distintos: no início é a fé, a alegria, a esperança, a paixão, o desejo, o amor in-condicional a uma mulher idealizada – Margarida – , princípio e fim de todas as suas ações. Na seqüência, surgem a incredulidade, a tristeza, o desespero, a frustração, o desejo de vingança... Se, por um lado, sua condição de sobrevivência é construída na própria dor, por outro lado, ao desnudar seu coração para o companheiro, Dimas termina por encontrar um tempo particular de reencontro consigo mesmo e uma possibilidade de comunicação com outros seres. "Cabine 33" é um romance que tem tudo: trama original e bem estruturada, paisagem interior, paisagem exterior, personagens vi-vos, reais e humanos, linguagem agradável, ritmo, lirismo, poesia. Numa profusão de personagens, enredos e circunstâncias, Car-los Lúcio Gontijo, um escritor que nunca abriu mão de uma crítica social inconformista e corajosa, do que são vívido testemunho seus artigos na imprensa e as idéias expostas nos diversos livros publicados, denuncia – no decorrer da trama – problemas sociais complexos e de difícil solução. Nesses tempos de globalização e de falta de princípios éticos, é um grande prazer acolher mais um livro de Carlos Lúcio Gontijo, poeta-escritor-jornalista, cuja ousadia, tenacidade e disposição pa-ra o debate, fazem da sua escrita uma usina de criação permanente, voltada para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e humana. Sua literatura é um exercício contínuo e generoso de arte, entrega, esperança, amor. Ainda que seja apenas para lançar sementes a serem colhidas pela próxima geração. Mas, apesar de tudo que eu disse, espero que, para opinar sobre esta obra, o leitor se sinta bem à vontade, leve, livre e solto, para viajar livremente pelas suas páginas, secundando a viagem criadora do escritor.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Cabine 33”, de Carlos Lúcio Gontijo, publicado pela editora CLG, em 2004 e com 196 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: CLG

Páginas: 196

Ano: 2004

Edição:

Linguagem: português

ISBN:

ISBN13:

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