Sinopse: Para bem falar de Exu - não seria louca de falar mal - é preciso ser incisiva, saber segredos que como tais não devem ser revelados. Então, caro leitor, sinto-me mais à vontade para mexer com o tridente de Netuno (patrimônio cultural da humanidade que a mim também pertence) e, mineiramente, deixo quieto o tridente de Exu. Arma por demais poderosa que funciona por eletromagnetismo. Sou maluca de colocar um negócio desses na minha cabeça?
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Cada Tridente em seu lugar e outras crônicas”, de Cidinha da Silva, publicado pela editora Instituto Kuanza, em 2006 e com 129 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
A leitura dos livros de Cidinha Da Silva é um mergulho em narrativas que oscilam entre o íntimo e o coletivo, onde a oralidade e a poesia se entrelaçam com o cotidiano das personagens negras e periféricas. A prosa pode ser ágil e irônica, mas também densa e carregada de tensão social, revelando as marcas do racismo, do sexismo e da luta por justiça. Essa experiência é marcada por um ritmo que varia entre a crônica reflexiva e o conto carregado de emoção, com personagens que enfrentam dilemas reais e complexos, muitas vezes em situações de resistência e afirmação. Há uma presença constante da ancestralidade e dos rituais culturais, que dão textura e profundidade às histórias. Nos livros de Cidinha Da Silva, o leitor encontra uma escrita que provoca a reflexão sobre as desigualdades e celebra a diversidade, sem perder a leveza de uma linguagem que sabe ser afiada e sensível ao mesmo tempo.