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Coisas e Gente da Velha Macaé: (Crônicas Históricas)

Título: Coisas e Gente da Velha Macaé: (Crônicas Históricas)

Autor: Antonio Alvarez Parada

Sinopse: "Todos cantam sua terra, Também vou cantar a minha..." Tenho em mãos um livro raro. Raro por ser "um livro escrito por um macaense para os macaenses, sejam êles os que aqui residem na felicidade de sua paz e de sua beleza invejáveis, sejam aquêles que por contingência da vida, daqui se afastaram, ganhando o pão de cada dia no labor ingente de outros centros, sempre saudosos de um mergulho nas águas da Imbetiba ou de um bate-papo amigo nos cafés da rua Direita. Não é um livro definitivo e, o que mais importa, não pretende sê-lo. É mais a consequência de um desejo irresistível e incontrolável, qual seja o de levar para o papel, em letras impressas, algo daquilo de curioso e interessante que o autor viu ou soube a respeito do passado de sua terra, onde nasceram, para cada um dos macaenses, tantas alegrias e tantas tristezas. É, também, um preito de amor à terra natal a que está ligado por tão grandes laços, à terra para a qual não encontrou e, está certo, não encontrará rival em todo o mundo." Macaense, confirmo a fala nada exagerada do caro A.A. Parada (Antônio Alvarez Parada) no prefácio de seu nobre livro "Coisas e Gente da Velha Macaé". Declara ainda, alegando ser "uma obra modesta com a qual pretende o autor iniciar um ciclo de livros sôbre as coisas macaenses, sempre com um único objetivo: "Conhece-te a ti mesmo" . Dedicatória do livro: à memória de meu pai e de minha irmã Pilar. A minha mãe. A minha espôsa. Este é o autor, carinhosamente conhecido como professor Tonito. Minha Terra (Alcindo Brito) A terra em que eu nasci é uma cidade linda! É a cidade mais linda que há no mundo! Cidade maravilhosa, cheia de pescadores, parece que emergiu por encanto das profundezas do mar, e ficou na praia quente a se espreguiçar… a se espreguiçar… Cidade cheia de riquezas, és pobre porque és consciente e conformada. Os teus filhos não são ambiciosos porque, acostumados a fitar a imensidão do mar, aprenderam, vendo a imensidade, que a riqueza material de uma cidade é coisa pequena demais para ser coisa que se deva ambicionar! Minha terra, és rica porque não tens ambição! Vives no teu sossêgo sem alarde do que és, sem atraires para elas essa gente sem coração capaz de abandonar-te sem saudade depois de ter fartado de gozar-te, minha cidade! Gente incapaz de sentir a tua profunda espiritualidade! Há quantos anos não te vejo, pátria da minha infância! A tua lembrança é uma tela de cinema, a casinha pensativa que o vovô deixou para minha mãe, o gradil quebrado do jardim em que eu brinquei, a maleta de meus livros pendurada atrás da porta da sala de jantar e a escola no fim da rua; E a rua muito comprida de paralelepípedos mal dispostos em que eu soltava papagaios para as bandas do mar e dois burros resignados arrastavam um bonde barulhento sôbre os trilhos estreitos… E a cabra cega na praia… (Tôda vez que eu passava na Alfândega indo p´ra Imbetiba, o guarda, um soldado, armado de carabina, gritava como se eu fôsse um contrabandista: - Quem vem lá? – e eu respondia como a mamãe me ensinara: - É de paz! - Passe de largo! (Eu dava uma corridazinha…) A praia… Velas de pescadores… Aves marinhas escrevendo negras reticências minúsculas na [ tarde azul e grande... O horizonte longe… O céu azul… O mar sem fim… Homens rudes que chegam com os barcos transbordando de [peixes e a gente pobre que aguarda a chegada dos barcos… Eu faço estes versos cheio de saudade de ti, minha cidade! Eu ainda vejo o teu sol vermelho tomando banho muito cêdo [em alto mar! Dentro de minha sensibilidade tu me apareces cada vez mais linda, Macaé, minha terra, pátria da minha infância, Neste momento eu te vejo colorida, minha suavíssima cidade! Tôda vestida com as lindas côres de um arco-ris num cair de tarde! Certamente AA Parada acompanha a vida de Macaé e surpreso não está com as mudanças na terra natal, tantos as boas quantos as nem tanto pois que grande conhecedor do espírito humano sabe que estes privilégios da terra não atingiram somente a beleza natural desta terra que aberta está as milhares de migrações sempre acolhidas com carinho, independente dos interesses que aqui se façam. O livro tem crônicas interessantes como a origem através de "Jean de Léry a primeira referência ao nome de Macaé" , "Gondomar e a Fundação de Macaé", "Os Sete Capitães", "A Fortificação da Cidade" e até a descoberta por Saint-Hilaire, a 14 de setembro de 1817, junto "a um grande lago de água salgada chamado Lagoa da Sica ou de Boassica, apenas separada do oceano por estreita faixa de terra arenosa e margeada de grandes florestas". "Logo no início do capítulo e em que se ocupa de nossa terra, Saint-Hilaire faz uma referência à origem do nome de Macaé, escrevendo textualmente: "ainda em nossos dias, os habitantes do Paraguai chamam "macaé", em língua guarani, a uma espécie de arara, inteiramente verde, existente em seus campos". E, em nota a parte, acrescenta: "não posso ter a menor dúvida sôbre a etimologia a que refiro aqui, porquanto me foi indicada nas Missões do Uruguai por um homem competente, que vivera muito tempo no Paraguai e que conhecia perfeitamente a língua guarani". Entra, assim, Saint-Hilaire no rol dos que interpretaram erradamente a etimologia de "Macaé", preferindo dá-la como "arara verde", da mesma forma que Batista Caetano, citado por Teixeira de Mello, a traduz por "céu enxuto" e outros por "rio dos bagres", quando hoje, todos os tupinólogos estão acordes em que Macaé significa "a macaba dôce" ou "Côco-dôce". Parece que Saint-Hilaire andou comendo Côco-dôce e se fartou. Ah, Macaé sendo 'arara-verde' ou 'côco-dôce', que importa, importa que ela é linda com suas serras, rios, mares, entardecer, nascer de sol, ventos, mares e belezas mil onde o macaense, seja ele da terra ou apenas por ela peregrino, vive um paraíso encantado, perfeição divina. Fonte: Parada, Antônio Alvarez – Coisas e Gente da Velha Macaé (Crônicas Históricas, Edigraf – São Paulo – 1958) Croquis da capa de JoãoPaulo Cantuária - Texto ilustrado pelo autor A.A. Parada (Coisas e Gente da Velha Macaé): Um Barco Encalhado por Baco. Dois desastres marítimos, que culminaram com a perda preciosa de vidas e embarcações, tiveram repercussão na Macaé da última metade do século passado. O primeiro, ocorrido a 28 de novembro de 1861, com o vapor "Hermes", vai relatado em outras páginas dêste livro. O segundo, verificado num outro novembro, precisamente aos 22 dias dêsse mês do ano de 1877, fez naufragar, próximo às Ilhas de Sant´Ana, o vapor "Barão de Goitacaz", da frota costeira da Companhia Macaé e Campos, quando voltava da Côrte para o seu ancoradouro, na enseada de Imbetiba. A catástrofe do "Barão de Goitacaz" também é conhecida dos macaenses, contada que foi, há poucos anos, pela pena brilhante e sempre moça de Cezar Mello que, com o pseudônimo de Zé Marcello (inteligente arranjo das letras de seu nome), era o responsável pela secção "Macaé antiga e curiosa" mantida nas páginas de "O Rebate". Aqui, nêste desfilar de coisas antigas de nossa terra, iremos ocupar-nos com um outro desastre marítimo. Êste, entretanto e felizmente, não será pintado com as côres negras necessárias para aquêles. Pelo contrário! Malgrado a classificação de "desastre" que deve ser dada a um encalhe de navio, há, em sua história, uma rósea côr de humorismo e graça. Tivemos conhecimento do fato ao compilarmos um manuscrito a guisa de diário, de José Carneiro da Silva, 1. Visconde de Araruama, tronco da nobre família Araruama, de Quissaman, documento antigo e precioso que nos foi permitido consultar pela gentileza da exma. Dona, Clarisse Carneiro da Silva Caldas, espôsa do dr. Jorge Caldas, descendente direta do referido 1. Visconde de Araruama. Assim, relata êle que a 27 de abril de 1810, "pelas onze horas da noite" deu à costa "na altura de 22 graus e 14 minutos, uma pequena fragata ou galera de três mastros, composta a sua equipagem de inglêses, chineses, espanhois, portugueses asiáticos e um genovês, ou holandês". Não cita o 1. Visconde de Araruama o nome da galera, mas conta que a mesma vinha rumo ao Rio de Janeiro, em viagem que se iniciara a 2 do mesmo mês, no Cabo da Boa Esperança, com a embarcação provida de pouca carga e sendo ela de recente propriedade de um inglês, comerciante no Rio de Janeiro, "que a tinha mandado comprar no rferido Cabo e custou-lhe 25.000 pêsos espanhóis". A viagem, ao que se presume, transcorreu normalmente até o dia 27. À tardinha, como pretendesse entrar no Rio de Janeiro no dia seguinte, resolveu o capitão comemorar o final da viagem e deu ordens ao cosinheiro paa que o jantar normal e corriqueiro de todos os dias convertido fôsse em "um banquete mais largo principalmente em vinho". O "mais largo" a que se refere o manuscrito, deve ter sido de largura medida em quilômetros, pois o estado físico dos participantes do banquete, findo êste, foi tão precário que, capitão à frente, foram todos deitar-se, a curtir no aconchêgo das cobertas e do travesseiro, a terrível carraspana. O capitão da galera "entregou a direção da embarcação a um inglês dizendo-lhe que até a meia-noite fizesse um bordo para a terra e da meia-noite para diante fizesse para o mar, para montarem o Cabo-Frio". Talvez por nefasto efeito dos vapores, que à cabeça lhe subiram por conta do bom e "largo" vinho ingerido, talvez por sua natural incompetência (quem lá sabe?), o fato é que os cálculos do capitão foram totalmente errados: antes da meia-noite, exatamente às onze horas, ou seja, antes que, de acôrdo com suas ordens, fôsse feita a deriva para o mar, a embarcação encalhou em areias macaenses. E, embora classificando de "errado" o cálculo, não deixa o 1. Visconde de Araruama, em seu manuscrito, de apresentar a justificativa do capitão amigo de Baco: "é certo que o capitão me disse que o que lhe fez tão depressa chegar à terra foi a grande correnteza que as águas faziam para a terra, o que não tinha percebido de dia.". Ao que nos parece, porém, as justificativas dêsse capitão de nome desconhecido, bem merecem a aplicação daquele ditado "desculpa de amarelo é a friagem".

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Coisas e Gente da Velha Macaé: (Crônicas Históricas)”, de Antonio Alvarez Parada, publicado pela editora Edigraf, em 1958 e com 205 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Edigraf

Páginas: 205

Ano: 1958

Edição:

Linguagem: português

ISBN:

ISBN13:

    Sobre a editora

    Os livros da editora Edigraf costumam oferecer ao leitor um mergulho em narrativas clássicas e antológicas, com forte presença do conto como forma literária. A experiência de leitura frequentemente envolve uma variedade de vozes e estilos, desde a literatura erótica francesa até os contos tradicionais de várias nacionalidades, como americana, russa, portuguesa e espanhola. O ritmo dessas obras varia entre o mais narrativo e o mais reflexivo, com temas que vão do cotidiano burgês aos universos fantásticos e históricos. O tom pode alternar entre o dramático, o introspectivo e o até mesmo o sensual, criando um contraste interessante dentro do catálogo. Essa diversidade sugere um público que aprecia textos densos, muitas vezes com um recorte clássico e literário.

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