
Título: Demorar no desastre
Autor: Pedro Augusto Papini
Sinopse: odo arquivo aponta, antes que para verdades do passado, para promessas de futuros. Já o testemunho do desastre joga com o impossível de ser narrado. Em ambos os casos, estamos diante da ambígua tarefa de ler o que nunca foi escrito – de demorar no desastre. Esta pesquisa parte de uma inquietação, e talvez de uma vaga esperança, em relação a uma possível função da literatura diante de desastres. Tivemos, como primeiro impulso investigativo, a incompreensão de uma breve pergunta enunciada pelo filósofo Giorgio Agamben que coloca um enigma no vínculo entre elementos aparentemente tão díspares, ou desvinculados se os tomarmos isoladamente: literatura e desastre. “Como a literatura é possível depois do desastre?”, diz Agamben em entrevista que aborda a trajetória do filósofo Maurice Blanchot a partir de uma perspectiva da presença do desastre e de sua eventual, e mesmo inesperada, relação com o gesto literário. Nos coube assim, de início, uma exploração e uma delimitação de um campo onde essa pergunta poderia não apenas ser compreendida ou respondida, mas também aberta a usos para uma escrita e para uma leitura de um desastre ou desastres. “Como a literatura é possível depois do desastre?” se coloca como uma tradução, sobre como um gesto literário pode contribuir para os estudos da memória e da escrita da história de um desastre. O arquivo e o testemunho fazem um cismo: são placas tectônicas que se mexem em simultâneo, movendo toda a pesquisa. Oscilamos da ocupação da obra de Euclides da Cunha Os Sertões para a de um diário escrito por um combatente durante sua vivência de guerra contra a ditadura militar no Brasil entre os anos de 1972 e 1973, no episódio conhecido como Guerrilha do Araguaia ou Massacre do Araguaia. É como se as filosofias que abordamos fossem um modo de folhear esse diário
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Demorar no desastre”, de Pedro Augusto Papini, publicado pela editora Monstro dos Mares, em 2023 e com 188 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Monstro dos Mares
Páginas: 188
Ano: 2023
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6586008301
ISBN13: 9786586008302
Sobre a editora
Os livros da editora Monstro dos Mares convidam o leitor a navegar por temas que desafiam discursos tradicionais e espaços de poder estabelecidos, especialmente em contextos sociais e culturais. A experiência de leitura frequentemente se ancora em perspectivas críticas sobre exclusão, resistência e ativismo, com foco em questões como gênero, ecologia política e movimentos sociais alternativos. O tom varia entre análises densas e reflexivas e narrativas que exploram tensões políticas e identitárias, criando um ritmo que estimula o pensamento crítico e a reflexão sobre estruturas sociais. O catálogo sugere uma preferência por obras que dialogam com o presente e com práticas de militância, muitas vezes atravessadas por debates sobre inclusão e marginalização.
