
Título: É preciso dançar na língua dos predadores
Autor: Ana Beatriz Rangel
Sinopse: “Este livro de estreia de Ana Beatriz Rangel revela já no título uma proposta de viagem: mais do que necessidade, aqui o preciso aponta para precisão, acuidade extrema para penetrar a língua dos predadores sem aderir a ela. Não se trata de falar a língua dos predadores, mas de dançar nela; sua escrita requer, portanto, certa dose de alegria. Dançando, a poeta atravessa paisagens banais e instaura linhas de escape nos mais diversos confinamentos da vida. Se “todos os lugares exóticos, não demora muito tempo, acabam se tornando a distância entre a loja de conveniência e o estacionamento”, em seus poemas ela aprendeu também a criar outras distâncias, a mapear desvios mesmo “dentro de um trem tout droit”. O trajeto do livro sugere relações inusitadas com o próximo e o distante, espanta familiaridades e aproxima estranhezas. Ora se avizinha de um corpo com telescópios, ora se distancia, em versos curtos tramando exílios na anatomia previsível da metrópole. Amplia pequeníssimas sutilezas, das “formigas fictícias” extrai “legiões de desassossegos” e sob a sujeira cotidiana escava o cadáver das delicadezas. Como um “flâneur do capitalismo imaterial” não vê contradições em atravessar continentes no instante de um esbarrão, caminhando pela cidade como quem procura saídas de emergência em mapas astrológicos. Tudo é familiar e tudo é perigoso. A imagem 3D pode triplicar-se em “denso-vazio”, os turistas podem ser expatriados dos domingos, mas ainda assim não se dispensam os passeios turísticos. É um encontro raro entre política e poesia sem o prejuízo de nenhum dos termos. O projeto é claro: “recriar a raridade”. Os íssimos são recorrentes nos versos e não há exagero neles. É um livro íssimo, que se expande a cada leitura. E que não se estranhe se restar a impressão de que a autora saiu brutalmente à francesa da ciranda que ela mesma criou.” Maria Bogado
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “É preciso dançar na língua dos predadores”, de Ana Beatriz Rangel, publicado pela editora Oito e meio, em 2016 e com 74 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Oito e meio
Páginas: 74
Ano: 2016
Edição:
Linguagem: pt_BR
ISBN:
ISBN13: 9788555470271
Sobre a editora
Os livros da editora Oito e Meio costumam explorar territórios literários densos, onde a linguagem é trabalhada com cuidado e inventividade, seja em narrativas que misturam contos e romances ou em textos que transitam entre o poético e o político. O catálogo privilegia histórias que abordam conflitos sociais profundos, como desigualdade e violência, mas também o cotidiano íntimo e as tensões das relações humanas, especialmente sob perspectivas femininas e urbanas. A leitura frequentemente exige atenção ao ritmo e ao tom, que podem variar do humor ácido ao lirismo melancólico, passando por um humor negro e por experimentações formais que desafiam o leitor. A presença de narradores que se deslocam entre o real e o surreal, ou que adotam vozes fragmentadas e polifônicas, é recorrente, criando uma experiência de leitura que combina inquietação e reflexão.
