
Título: Embriaguez de Jenipapo
Autor: Fabíola Cunha
Sinopse: “Quem primeiro botou as vistas no assombro dessa manhã, não sei dizer”. A beleza traiçoeira da frase de abertura desta coletânea já nos alerta de que enfrentaremos textos que demandarão de nós astúcia na leitura, para que não escapem os sentidos profundos e as intenções disfarçadas em cada sentença esculpida nos contos. Fabíola Cunha conhece o que declara ignorar. A resposta desse falso enigma é justamente o elemento que nos conduz pelas linhas de sua escrita singular. Por meio de sua arte, falam ancestrais e vivências coletivas com a tradução de quem domina as múltiplas possibilidades da palavra e o ritmo da prosa. Impressiona a capacidade da autora de criar paisagens. Não se trata da descrição de cenários, mas do retrato feito por meio de palavras para alcançar o sotaque e a gênese das personagens de suas histórias — o sotaque não como dicção em sentido literal, mas como expressão que traduz as experiências das figuras fictícias que a artista cria. O poder de síntese e a contundência de Fabíola revelam-se em soluções como as contidas no conto “Corpo de lama”: …alguém dado a simetrias podia observar uma leve inclinação de uma das paredes. E o cristão cantou que sábios fazem casas sobre rochas. A questão é mais de dinheiro e menos de sabedoria. Também podemos ver essas habilidades no conto “Doum”: E que ninguém pense em força-tarefa daquelas de filmes. Aqui não voaram helicópteros nem latiram cães farejadores, policial não anotou o andar de cada um. Aeroporto e rodoviária não tomaram ciência do acontecido, nem TV fez cobertura nenhuma. O trânsito correu livre na BR 324. Carros sem averiguação, autoridades não emitiram um alerta sequer. Quem busca o seu sumido é o povo. Embora interesse saber quem primeiro colocou as vistas no assombro de nossas manhãs, Fabíola, com a força poética de sua prosa, convida leitores e leitoras para que a acompanhem nos percursos de quem olha o espanto da vida com verdade, intensidade e beleza. Receberá a recompensa quem aceitar o convite.
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Embriaguez de Jenipapo”, de Fabíola Cunha, publicado pela editora Urutau, em 2023 e com 52 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Urutau
Páginas: 52
Ano: 2023
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6559004465
ISBN13: 9786559004461
Sobre a editora
A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.
