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Enterro do lobo branco, O (trilogia do corpo v.2)

Título: Enterro do lobo branco, O (trilogia do corpo v.2)

Autor: Márcia Barbieri

Sinopse: Márcia Barbieri é uma verdadeira artífice do verbo – quebra regras, desordena a forma de narrar e causa em seu leitor o mesmo efeito das intervenções urbanas capazes de deslocar um cidadão de sua realidade comum e medíocre. Parafraseando Nietzsche: o leitor de Barbieri não é o de pontos e vírgulas. Encarar sua escrita é ter consciência que a ausência de sentido é o corpo de sua obra, entretanto há mais realidade em “O enterro do lobo branco” do que o leitor possa imaginar. A autora sempre trabalhou em seus livros com questões incômodas e que geralmente são evitadas e silenciadas pelo suposto mal-estar que podem suscitar. Barbieri expõe as vísceras, os escarros, os fluxos e o animal que vive entre quatro paredes e que tentamos inutilmente não expor, pelo contrário, tentamos demonizá-lo e a demonização o torna ficção quando deveria ser trazido para o campo das realidades e trabalhado. De quem estou falando? Falo agora da figura do feminicida – uma figura muito real e pouco levada a sério. O romance versa sobre o tempo e as repetições – o peso das ações impensadas, a insanidade humana, o absurdo e o retorno infinito de ações cometidas pela nossa espécie. A obra é dividida em três partes: o assassinato, o velório e o enterro. A narrativa trata de um suposto assassinato de uma mulher; uma mulher de vários nomes, de vários corpos e de vários algozes. A obra aborda muito o corpo, a dominação do corpo, a objetificação e a posse por esse corpo mesmo depois de não sobrar nele nenhum sopro de vida. Tenho a sensação de que Márcia Barbieri evita em suas obras as situações isoladas, os problemas individuais, optando sempre pelo coletivo, algo relacionado com o todo e, em o “O Enterro”, enxergo essa violência com o corpo do outro e a sujeição do próprio corpo como algo que carregamos de geração em geração como uma “memória de espécie” – que ironicamente se transforma em uma amnésia e consequentemente em uma anistia. Ler “O enterro do lobo branco” é tocar um universo real e dolorosamente palpável. Lisa Alves

Contexto da obra

Na ficção, o interesse por um livro costuma começar na história, mas não termina nela. “Enterro do lobo branco, O (trilogia do corpo v.2)”, de Márcia Barbieri, publicado pela editora Editora Reformatório, em 2021 e com 190 páginas, integra a categoria Livros de Ficção. Por isso, o livro tende a ganhar mais presença quando o leitor observa também como a história é contada.

Editora: Editora Reformatório

Páginas: 190

Ano: 2021

Edição:

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 6588091141

ISBN13: 9786588091142

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,240
  • Altura (cm): 21,00
  • Largura (cm): 14,00
  • Espessura (cm): 1,40

Sobre o autor

A leitura dos livros de Márcia Barbieri é uma experiência intensa e densa, onde a prosa se aproxima da poesia em sua forma e ritmo, criando uma atmosfera que é ao mesmo tempo lírica e áspera. A autora não se detém no superficial ou cotidiano, preferindo revelar o essencial, o que arde e pulsa no âmago do ser humano, com uma linguagem simbólica que desafia o leitor a penetrar em profundezas emocionais e existenciais. Seus textos oscilam entre o fluxo de consciência acelerado e momentos de desaceleração contemplativa, gerando uma tensão constante que não permite fuga fácil. As personagens, frequentemente marcadas por conflitos internos e corpos em decomposição simbólica, vivem em um mundo onde o prazer, a dor, a violência e a luta pela sobrevivência se entrelaçam sem concessões. Há uma presença forte do feminino, do corpo e do animal, que se manifesta em narrativas que exploram o que é evitado ou silenciado, trazendo à tona temas difíceis com uma escrita que morde e não afrouxa.

Ver mais sobre o autor

Sobre a editora

Os livros da editora EDITORA REFORMATORIO convidam a uma imersão em narrativas densas, que exploram conflitos humanos profundos e dilemas existenciais. A experiência de leitura frequentemente traz personagens marcados por solidão, opressão social ou familiar, e uma busca intensa por sentido, muitas vezes ambientada em cenários que vão do urbano contemporâneo a comunidades rurais ou históricas. O tom das obras varia entre o poético e o cru, com histórias que transitam entre o realismo psicológico e a reflexão sobre temas como morte, memória, identidade e poder. O catálogo revela uma preferência por narrativas que desafiam o leitor a confrontar a complexidade das relações humanas e a fragilidade das certezas cotidianas.

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