
Título: Escorpiões mancos também sabem amar
Autor: Diego Demetrius Fontenele
Sinopse: Fonte A fonte por aqui parece ter secado As ideias estão estéreis Nenhuma gota vem do céu Nenhuma palavra pousa no papel Não quero mais falar sobre amor Nem sobre as agruras que sofre Todo aquele acometido pela paixão Ou a respeito de qualquer emoção Mas a minha vontade de escrever Nunca se rende ao marasmo Nem se entrega a procrastinação Mesmo que os versos se repitam Eles soam como novos para O meu surrado coração. *** Pedra Atirastes com vigor Tuas palavras contra mim Todas guardei ao invés De abandoná-las pelo caminho. Elas se transformaram Em pesos inúteis Pedras pontiagudas Pequenas brasas com que Eu pretendia ferir-te. Meus punhos fechados O pulso acelerado Esquentou, na verdade Chegou a ferver Eu pude até sentir O gosto do ferro Enchendo a boca Mas deixei que a ausência Do calor estivesse completa Para que eu pudesse Entregar o melhor Prato que pretendia servir O alvo era outro, mas apenas Minhas mãos sofreram Ao devolver o arremesso. *** Concha Leve consigo tudo Que um dia foi nosso Nada mais quero. Lembrar só traz dor Tudo machuca Tudo é memória Não quero lágrimas Até os risos ferem Leve tudo consigo Toma as pérolas Da nossa história E deixe comigo apenas A concha morta. Vazio Talvez possa recomeçar.
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Escorpiões mancos também sabem amar”, de Diego Demetrius Fontenele, publicado pela editora Libertinagem, em 2022 e com 80 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Libertinagem
Páginas: 80
Ano: 2022
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6584688372
ISBN13: 9786584688377
Sobre a editora
Os livros da editora Libertinagem trazem uma leitura marcada por vozes intensas e subjetivas, que frequentemente exploram emoções cruas e experiências pessoais em narrativas densas e poéticas. O catálogo revela uma preferência por textos que transitam entre o fluxo de consciência e a poesia, com um tom introspectivo e às vezes melancólico, onde o cotidiano e o íntimo se entrelaçam com temas como memória, dor, e relações humanas. Há obras que se aprofundam em conflitos internos e existenciais, enquanto outras apresentam relatos de ambientes sociais e comunitários, sempre com uma linguagem que privilegia o sensorial e o emocional. O material de apresentação indica que a editora valoriza uma escrita que não se prende a formatos tradicionais, mesclando prosa e poesia, e que pode oscilar entre o narrativo e o fragmentado.
