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Flor de Algodão

Título: Flor de Algodão

Autor: Santana Filho

Sinopse: A chegada triunfal de um engenheiro — um pouso forçado em pleno largo da matriz — reacende as esperanças dos moradores, sobretudo as de Cravo do Lírio D’Água, homem mais poderoso da pequena cidade. O patriarca vê no jovem promissor não só a possibilidade de construir a tão esperada barragem que dê fim a seca que assola a cidade, mas também a oportunidade de se livrar de Hortência, filha nascida fora do casamento. O engenheiro, porém, busca em meio a tão curiosa fauna humana, superar um antigo trauma. Mais do que ao tradicional mote do forasteiro que transforma a dinâmica de um lugar, convém se atentar à preponderância da metáfora vegetal. Para sorte do leitor, acontece de os espécimes do jardim exuberante criado por Santana Filho não serem compostos apenas da bela e colorida parte visível da flor, a corola, como é costume nos poemas de rima fácil ou nas descrições pouco inspiradas, muito pelo contrário, neste romance, há aquilo que Georges Bataille percebe bem: a contraparte da flor, que apodrece rapidamente e por isso simboliza não só o amor, mas também a morte, são as raízes, que “chafurdam no interior do solo tão enamoradas da podridão como as folhas das luzes”. As vidas de Cravo e dona Gérbera, do engenheiro, de Gigante do Noca e dona Chuta, de irmão Deocleciano e de tantas outras figuras fascinantes têm raízes profundas na saga da cidade e das famílias, e devem seu crescimento às águas que irrigam as partes inferiores do corpo. Se cenário e personagens têm nome de flor, a água só pode ser decisiva para o destino geral. Há um poema que ensina: líquido é por definição o que prefere obedecer ao peso a manter a forma e que, por causa desse vicio mórbido, perde toda compostura. É desse caráter do que é líquido que trata Flor de Algodão. Para além de qualquer simbologia, porém, o que faz deste um excelente romance é a variedade de prosa que Santana Filho cultiva. Às vezes poética, com frequência engraçada, e sempre muito elegante em seu traje de frases longas e vocabulário ornamentado. É ela que dá viço a uma trama que mantém os dois pés fincados numa das melhores tradições latino-americanas: a que flerta com o insólito para falar de lugares onde, como canta Caetano, “tudo parece que era ainda construção e já é ruína”.

Contexto da obra

Na ficção, o interesse por um livro costuma começar na história, mas não termina nela. “Flor de Algodão”, de Santana Filho, publicado pela editora Editora Reformatório, em 2017 e com 288 páginas, integra a categoria Livros de Ficção. Por isso, o livro tende a ganhar mais presença quando o leitor observa também como a história é contada.

Editora: Editora Reformatório

Páginas: 288

Ano: 2017

Edição:

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 8566887379

ISBN13: 9788566887372

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,400
  • Altura (cm): 21,00
  • Largura (cm): 14,00
  • Espessura (cm): 1,60

Sobre a editora

Os livros da editora EDITORA REFORMATORIO convidam a uma imersão em narrativas densas, que exploram conflitos humanos profundos e dilemas existenciais. A experiência de leitura frequentemente traz personagens marcados por solidão, opressão social ou familiar, e uma busca intensa por sentido, muitas vezes ambientada em cenários que vão do urbano contemporâneo a comunidades rurais ou históricas. O tom das obras varia entre o poético e o cru, com histórias que transitam entre o realismo psicológico e a reflexão sobre temas como morte, memória, identidade e poder. O catálogo revela uma preferência por narrativas que desafiam o leitor a confrontar a complexidade das relações humanas e a fragilidade das certezas cotidianas.

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