
Título: Gente pedra, gente vidraça
Autor: Thais Steimbach
Sinopse: “Quem não tem teto de vidro atire a primeira pedra” é a primeira frase da música de Pitty Teto de Vidro, que marcou minha vida e de muitas outras meninas e meninos que cresceram nos anos 90 e adolesceram nos 2000. A letra de Pitty remonta à intertextualidade milenar dos ensinamentos de Cristo, quando ele supostamente defendeu uma mulher, pária social, em vias de ser apedrejada por uma multidão enfurecida. Lemos essa história da “mulher adúltera” pela pena de um terceiro, já com Gente pedra, gente vidraça, Thais Steimbach dá voz e ecoa as palavras de gente como aquela mulher, gente cujas vozes dificilmente ouvimos na literatura. Não é mais um homem falando sobre uma mulher apedrejada, uma criança abusada, uma menina que se recusa a ser invisível, ou moça cujas palavras lhe saem da boca como rios pela pele após um silenciamento de anos, ou mesmo um casal gay que precisa enfrentar a violência e hipocrisia de uma sociedade desigual e moralista; são os sujeitos das margens que contam suas histórias, se tornam agentes, promovem e refletem sobre a ação. Nessas páginas nos apaixonamos, somos inundados de raiva, a raiva motor da indignação contra as injustiças e amarras do patriarcado e do racismo, que nos dividem e fragmentam nossos sonhos, mas também somos acolhidas com o recurso especulativo da mudança revolucionária, da quebra do paradigma, do amor como força motriz. E nesse resgate poético e belo, deixamos de ver vítimas e enxergamos seres humanos em toda sua complexidade, beleza e feiura, amor e dor. A linguagem de Thais é ao mesmo tempo simples e bela, poética e cortante como faca. Acho impossível passar por esse livro sem se sentir movida, sem reconhecer a realidade brasileira, suas dores e esperanças que tanto fazem eco a questões milenares e universais da humanidade, das mulheres, crianças, e outros grupos. A literatura pode ser qualquer coisa esses dias, mas quando ela é sublime como esta, ela afeta sem ser afetada, ela gera reflexão sem ser panfletária, ressignifica e se apropria, como fez Thais, desse ensinamento atribuído a Cristo, ressignificado por Pitty em seu rock, poetizado nessas páginas em histórias de gente como a gente, digna, pedra e vidraça, viva e insustentavelmente bela. Suzana Veiga, Doutora em História
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Gente pedra, gente vidraça”, de Thais Steimbach, publicado pela editora Editora Nauta, em 2024 e com 168 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Editora Nauta
Páginas: 168
Ano: 2024
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6583074060
ISBN13: 9786583074065
Sobre a editora
Os livros da editora Editora Nauta convidam o leitor a navegar entre narrativas que exploram a complexidade humana em ambientes que vão do isolamento selvagem a contextos históricos e sociais densos. A experiência de leitura costuma ser marcada por um tom introspectivo, que ora flerta com o fantástico e o existencial, ora mergulha em relatos que resgatam memórias e verdades ocultas, especialmente em cenários brasileiros. O catálogo apresenta obras que equilibram uma prosa elaborada e poética com temas que desafiam a linearidade tradicional, incluindo contos e romances que abordam desde dilemas individuais até questões coletivas, com destaque para personagens multifacetados e conflitos internos profundos. A diversidade editorial se manifesta também na presença de vozes que trazem perspectivas de diferentes regiões do país e abordagens que variam entre o mais narrativo e o mais reflexivo, sempre com uma linguagem que privilegia a sensibilidade e a densidade temática.
