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Jardim De Haijin

Título: Jardim De Haijin

Autor: Alice Ruiz S

Sinopse: “manhã de primaverapara todas as floresdia de estreia” Os primeiros textos de Alice Ruiz S que me chamaram a atenção já eram haikais. Eram traduções do poeta japonês Issa Kobayashi, mas acima de tudo soluções que me pareciam mais sintéticas que as originais. Por exemplo: “vaga aqui / lume ali / o vaga-lume”. Isso foi há mais de duas décadas. De lá para cá conheci melhor a pessoa, a letrista e a poeta incansável que extrai poesia até da página em branco: “página / que não dá poema / dá pena”. Alice vê o haikai como um exercício fundamental para que o poeta saia de si e se concentre no mundo. Menos reflexão e mais apreensão. Menos sentimento e mais observação. O decurso do tempo cede lugar à percepção instantânea e palpável, como se pode ver aqui mesmo: “paineira na chegada / ainda mais florida / no dia da saída”. Neste jardim de Alice as palavras precisam se despojar dos sentidos acumulados ao longo da História para refazer a experiência humana a partir de um olhar inédito. Surge então o diálogo direto com as crianças, seres que não fazem o menor esforço para dispor desse mesmo olhar. E nasce uma espécie de gramática do jardim. Flores, folhas e árvores são substantivos. Vento é verbo. Chuva também. São eles que mobilizam a cena: “vento forte / sementes caem / folhas voam”. Toda criança capta essas funções mesmo que não conheça seus nomes. Algumas vezes Alice expira para depois (se) inspirar. Primeiro, esvazia a imagem, reduz sua extensão (“noite estrelada / atrás do portão / última flor”), em seguida, recupera-as com toda plenitude e abrangência (“manhã de primavera / para todas as flores / dia de estreia”). Retira para depois adicionar. Forja a debilidade para mostrar o vigor. É também dessa respiração que vive a poesia. A matéria-prima deste livro não é a natureza. Tal palavra nem aparece nos poemas aqui transcritos. Sua vastidão impessoal seria abstrata demais para caber no haikai. O ponto de partida é o jardim, uma composição de elementos naturais emoldurada pela escrita da artista em perfeita sintonia com as ilustrações de Fê. Bem simples assim. Jardim de haikaísta. Jardim de Haijin. Luiz Tatit

Contexto da obra

Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “Jardim De Haijin”, de Alice Ruiz S, publicado pela editora Iluminuras, em 2000 e com 64 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.

Editora: Iluminuras

Páginas: 64

Ano: 2000

Edição: Literatura Brasileira

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 857321323X

ISBN13: 9788573213232

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,207
  • Altura (cm): 23,00
  • Largura (cm): 16,00
  • Espessura (cm): 0,40

Sobre a editora

Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.

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