
Título: livro era o ceu Ed. 2022
Autor: Sergio Bizzio
Sinopse: Em um romance que apresenta um dos começos mais tensos da literatura contemporânea. Sergio Bizzio, em Era o céu, dá voz a um narrador atormentado pela indefinição do que fazer diante daquilo que vê: sua mulher é estuprada por dois homens dentro de sua própria casa enquanto ele, da janela, do lado de fora, encontra tantos motivos para agir quanto para se acovardar. Essa tensão, que o paralisa, impregna não só essa cena, mas todas as situações que o narrador nos traz ao relembrar como ele foi parar ali, ao mesmo tempo em que se move para encontrar as razões pelas quais a sua esposa, após o estupro, decide mantê-lo em segredo, inclusive sem contar a ele. Que pergunta a faria contar-lhe? A análise que o narrador faz dos gestos e reticências de sua esposa acabam também refletindo sobre os seus próprios, já que ambos passam a atuar um para o outro. É isso um casamento? Conviver com alguém sabendo que ambos escondem partes tão íntimas, coisas tão suas? A espiral de cenas do passado que culmina nessa ação / inação corre por quase todo o romance. Dessa forma, descobrimos que o narrador, após dez anos de casado, tinha acabado de voltar com Diana, sua mulher, depois de dois anos separados; descobrimos também que, nesse tempo, afastados, ele se envolveu com Vera, uma escritora de sucesso pela qual se apaixonou e se desapaixonou; e que além de marido, também é pai, e essa condição lhe obriga a guardar seus medos em silêncio, para que o filho não absorva as vulnerabilidades e o terror que, aos leitores sim, são expostos e justificados. Isso porque, o narrador, assim como o próprio autor, é roteirista e diretor de cinema, o que nos leva a, como leitores, desconfiar de como ele constrói a narrativa, para provocar um efeito e, consequentemente, um afeto no leitor. Assim, não só pelo conteúdo, mas também pela forma, acabamos identificados com suas imperfeições, com sua incomunicabilidade, e inclusive com seu desejo de vingança. Em um momento em que carecemos de personagens demasiadamente humanos, mas conscientes de que toda ação tem reação, Era o céu finalmente chega aos leitores brasileiros. Ellen Maria Vasconcelos Editora, tradutora e mestra em literatura hispano-americana pela FLLCH-USP. Sergio Bizzio (Villa Ramallo, província de Buenos Aires, Argentina, 1956) é escritor, dramaturgo, poeta, músico, roteirista, diretor de cinema e produtor de televisão. No Brasil, teve publicado seu conto “Cinismo” (na antologia Os outros: narrativa argentina contemporânea, organizada por Luis Gusmán; Iluminuras, 2010) e o romance Raiva (Record, 2011), que na Espanha recebeu o Prêmio Internacional do Romance da Diversidade. Dirigiu os filmes Animalada (2001), que recebeu o prêmio de melhor roteiro do Instituto Nacional de Cine da Argentina, 2000 e o prêmio de melhor filme estrangeiro no Latin American Festival of New York, em 2002); No fumar es un vicio como cualquier outro (2005) e Bomba (2013). Sua obra literária já foi adaptada ao cinema, com os filmes XXY, de Lucía Puenzo (2007) e O silêncio do céu, dirigido por Marco Dutra (2016). É também membro da banda de rock argentina Súper Siempre, na qual é vocalista, guitarrista e tecladista. O romance Era o céu foi lançado originalmente em 2007, na Argentina.
Contexto da obra
Na ficção, o interesse por um livro costuma começar na história, mas não termina nela. “livro era o ceu Ed. 2022”, de Sergio Bizzio, publicado pela editora Iluminuras, em 2022 e com 216 páginas, integra a categoria Livros de Ficção. Por isso, o livro tende a ganhar mais presença quando o leitor observa também como a história é contada.
Editora: Iluminuras
Páginas: 216
Ano: 2022
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 6555191856
ISBN13: 9786555191851
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,370
- Altura (cm): 22,50
- Largura (cm): 15,50
- Espessura (cm): 0,90
Sobre a editora
Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.
