
Título: MOMO REI
Autor: Scandolara Adriano
Sinopse: *** O ridículo do estado atual do mundo é, desde sempre, um assunto recorrente entre satiristas. Em Momo Rei, Adriano Scandolara vislumbra uma dimensão metafísica para esse fenômeno. Tudo começa com o deus Momo, filho da Noite, uma dessas divindades menores, mais lado B, da mitologia grega, tendo como seu domínio o ridículo, o deboche e o escracho. Momo, além de fazer uma pontinha em Hesíodo e em Platão, aparece na obra do fabulista Esopo, que narra o episódio em que ele acaba expulso do Olimpo por criticar a criação do ser humano. Enquanto isso, no Brasil, até hoje temos o costume de celebrar uma figura carnavalesca chamada de rei Momo. Há um estranho silêncio em meio aos mitógrafos no que diz respeito a esse período entre a sua expulsão do Olimpo e o naturalizar-se brasileiro. E o silêncio é território fértil para a imaginação febril. Num estilo verdadeiramente momesco, combinando referências mitológicas, literárias, esotéricas e de cultura de massa de um modo vertiginoso, Momo Rei narra o que teria acontecido enquanto isso, concebendo uma cosmologia que tem, em seu centro, o ridículo entronizado como o senhor deste mundo. *** Momo é uma arapuca, arrancada a carapuça dos prepúcios, de tudo que há, e ri em seu nome — o pai do deboche, também a burla que o nomeia. Um divino cariá, demônio doméstico na ponta da pena à cabeça, pernas pra quê? Te quero amar o risco na eureca que se ao cume inclina, o cume inflige danos — danação da escrita em sua profusão de mundos [velhos novos mundos, todos de invenção]. Vindo do Hades, ai ai, aquele bloco que nunca cessa de passar, balança mas não cai. Momo é a chacrinha dos nomes todos, também suas transações, o castelo ruidoso de cartas caindo, um quebra-cabeças de mil peças em branco quando sopradas pra fora da mesa. Natural de nós, que amamos deuses de importação, Momo é o plugue que nos alivia, de entrada e saída, do inferno perdulário da pecúnia, calunia as casas móveis, chamem a economia dos universos por criar. O balanço dos pratos na balança, um plano de equilíbrio pra terra plana [helás, quem nos livra o livro?], que nos empurra a dentro dos incêndios das referências. Momo é a inteligência improvável no terreno baldio da cultura, a sede inteira sede pura na terra dos meme — dá de comer à terra grávida, enchendo do oco da boca ao olho do cu que nos olha e entrega os memo. Talvez caiba dizer que Momo, o livro, é: uma épica cômica, uma gargalhada delirante que pouco aparece na poesia brasileira, experimento fora da curva, etc. Mas nem tudo são flores. Momo, o nosso parente mais próximo no churrasco, é o abraço gostoso no constrangimento besta das letras. Em festa de Momo, nunca será um outro: Momo é eu, Momo é tu. É essa a pegada, em resumo: risos. Capilé ***
Contexto da obra
Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “MOMO REI”, de Scandolara Adriano, publicado pela editora Kotter Editorial, em 2023 e com 152 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.
Editora: Kotter Editorial
Páginas: 152
Ano: 2023
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 6553612269
ISBN13: 9786553612266
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,300
- Altura (cm): 23,00
- Largura (cm): 16,00
- Espessura (cm): 2,00
Sobre a editora
Os livros da editora KOTTER EDITORIAL propõem uma experiência de leitura que oscila entre o experimental e o cotidiano, com um forte viés poético e crítico. A linguagem varia do lirismo desconstruído ao humor ácido, passando por narrativas que exploram conflitos íntimos e sociais em contextos urbanos e históricos. O catálogo revela uma predileção por obras que desafiam formas tradicionais, seja na poesia que dialoga com vanguardas e concretismo, seja na prosa que investiga personagens complexos e situações ambíguas. Há também espaço para ensaios sociológicos e políticos que refletem sobre o Brasil contemporâneo, sempre com um olhar atento às tensões culturais e históricas.
