
Título: Música de Mobília
Autor: Daniel Vilela
Sinopse: O que devemos esperar de uma narrativa contemporânea? Sendo narrativa, o que esperar podemos do tratamento de personagens, locações, relógios e linguagem? Ou ainda poderíamos perguntar, ouvindo uma peça de Erik Satie: que importância teriam essas perguntas hoje? Daniel Vilela compõe Música de mobília na tradição narrativa inaugurada por Virgínia Woolf, e isso significa colocá-lo entre os autores que fazem da linguagem uma imitadora do fluxo estranho do tempo e da memória, em que a realidade feita ficção não é mais que uma série de manchas cromáticas que, apenas vistas de longe, evocam as águas nas pinceladas de Monet ou as impressões nas frases de Woolf. Felipe atravessa a passagem dos dias; cruzam essa passagem a paisagem insular de São Miguel, a moça com bibliotecas na boca, Lauro, as senhorinhas por quem as notícias ganham fama e, em especial, sob as luzes baratas e sobre os estrados provisórios do circo, Solidão, marcados todos pelos dias ímpares e pares e sua corrosão. Atravessa-os, sobretudo, a linguagem do autor, música de poesia sem mobília. Tudo nesse romance de estreia de Vilela ancora nas imagens que, a um poeta, farão parecer um longo poema em prosa; a um romancista, um breve romance-poema. Preocupado em fundir visão de mundo e frases tão personalizadas, o autor, nelas, elabora o fluxo imprevisto do que pensam e sentem as pessoas em seu recôndito mundo silencioso, e solitário, em maresia. É que, ao contrário do que pretenderia a musique d’ameublement criada por Satie, Música de mobília faz suspender o leitor, tirando-o do sossego de uma leitura previsível, e deixa-o aceso para os parágrafos cinematográficos, para os passos sem passos de Felipe e Solidão, para os indícios de chuva de uma ilha em rasura, cuja realidade nada interessa a Diogo Vilela senão naquilo que há de surreal no som das cordas do mundo, a fazer de pessoas marionetes, ou delicado contrabaixo. Ouçam-no. Paulo Roberto Sodré
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Música de Mobília”, de Daniel Vilela, publicado pela editora Cousa, em 2012 e com 42 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Cousa
Páginas: 42
Ano: 2012
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 8563746227
ISBN13: 9788563746221
Sobre a editora
Os livros da editora Cousa convidam o leitor a mergulhar em narrativas que transitam entre o íntimo e o social, frequentemente com um tom reflexivo e, por vezes, melancólico. A dramaturgia aparece com destaque, valorizando textos que exploram a literatura para além do palco, com uma linguagem que privilegia o aspecto literário e o aprofundamento de temas complexos. Há obras que exploram conflitos humanos em contextos urbanos e rurais, com personagens que enfrentam tensões existenciais, relações familiares, e dilemas morais. O catálogo apresenta tanto textos poéticos densos e experimentais quanto narrativas que dialogam com a memória, a identidade e a realidade social, incluindo críticas às condições penitenciárias. Em meio a essa diversidade, a leitura costuma exigir atenção ao ritmo e à densidade, alternando entre prosa concisa e poesia livre.
