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Nebulosa Do (auto)biográfico

Título: Nebulosa Do (auto)biográfico

Autor: Eurídice Figueiredo

Sinopse: A reunião destes textos que têm por mote as tão debatidas “escritas de si” evidencia o longo fôlego das pesquisas que Eurídice Figueiredo tem levado a cabo sobre este tema pulsante e irrequieto. Pulsante porque, por um lado, mobiliza o leitor em razão da identificação gerada pela presença de elementos biográficos ou supostamente biográficos nas narrativas; por outro lado, o tema é irrequieto pois sua teorização está em constante movimento, agregando definições e delimitações do campo que se complementam, sobrepõem e, não raro, também se opõem. A nebulosa presente no título do livro aparece nominalmente no artigo teórico que dá o tom para os demais, “A autoficção e o romance contemporâneo”: tal como uma nuvem de poeira cósmica, as definições sobre as modalidades e implicações do “gesto (auto)biográfico”, para empregarmos a expressão da autora, são difusas e difíceis de apreender. Também como uma nebulosa funciona este livro, ao colocar lado a lado textos sobre autores consagrados como Roland Barthes, Patrick Modiano, W. G. Sebald, Albert Camus e Jorge Amado, bem como alentado corpus de literatura brasileira contemporânea. Abandonando o paradigma que atrelava a escrita literária a seu referente por mimese, deformação ou oposição, a autoficção redefine o romance contemporâneo por meio da relação entre a escrita, o autor e o leitor. Tal deslocamento, no entanto, é problemático, uma vez que relega ao leitor e a suas informações sobre a vida vivida do autor a leitura de sua vida escrita como ficção ou relato de uma realidade. No limite, vemos, neste momento, na definição de autoficção, a substituição de um parâmetro bem estabelecido, assentado, fixo, como os fatos reais, ou que passam por reais, que ancoram o referente, por um parâmetro móvel, relativo, disperso, que é o leitor e sua bagagem de conhecimentos prévios sobre o autor e sua obra. Esse espaço aerado em que o transitório impera é a nebulosa de baixa visibilidade em que muitas das obras das literaturas francesa e brasileira contemporâneas gravitam sem órbita definida. Cada texto de Eurídice Figueiredo funciona, nesta nebulosa, como uma estrela a iluminar questões específicas às obras analisadas, envolvendo sempre a relação entre a escrita e aquele que escreve, “sujeito descentrado, disperso, esvaziado, porém que insiste em sua individualidade”.

Contexto da obra

Na crítica literária, livros como este costumam ampliar a leitura de autores, obras e tradições. “Nebulosa Do (auto)biográfico”, de Eurídice Figueiredo, publicado pela editora Zouk, em 2022 e com 356 páginas, integra a categoria Livros de Crítica Literária. Na prática, isso ajuda a situar o livro como apoio valioso para quem quer ler obras e autores com mais contexto.

Editora: Zouk

Páginas: 356

Ano: 2022

Edição: 1

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 655778062X

ISBN13: 9786557780626

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,350
  • Altura (cm): 16,00
  • Largura (cm): 23,00
  • Espessura (cm): 2,50

Sobre o autor

A leitura dos livros de Euridice Figueiredo revela uma abordagem densa e multifacetada, que transita entre o rigor acadêmico e a reflexão crítica sobre temas sociais e culturais complexos. A prosa, por vezes analítica e fundamentada em teorias, cria um ritmo que exige atenção e envolvimento intelectual, ao mesmo tempo em que mantém um diálogo próximo com questões humanas como identidade, memória e gênero. O leitor é convidado a navegar por tensões entre o individual e o coletivo, o histórico e o contemporâneo, com foco em temas como feminismo, etnicidade, ditadura e transculturalidade. A experiência pode ser tanto desafiadora quanto enriquecedora, pois os textos exploram narrativas que se entrelaçam com questões políticas e sociais, sem perder a dimensão crítica e a busca por compreensão profunda. Em meio a análises rigorosas, há também espaço para a problematização de tabus e a valorização de vozes diversas, o que confere aos livros de Euridice Figueiredo um caráter plural e instigante.

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