
Título: O autor do crime perverso
Autor: Marie-Laure Susini
Sinopse: Por que autor de crime perverso, e não simplesmente criminoso perverso? A apelação seria igualmente justa, mas equívoca demais: aí se poderia entender apenas uma eventual perversidade do criminoso. Esse criminoso, esse autor de crime perverso que aqui estudo não é perverso porque seria, no sentido comum do termo, maléfico, desviante, manipulador, porque manifestaria uma perversidade, uma malignidade de caráter e de comportamento. Ele é criminoso porque sua relação particular com o Outro,e, antes de mais nada, com o Outro do encontro secual, a isso o força. O ato do crime perverso é uma resposta particular à pulsão sexual. Esse ato se efetua no quadro de uma perversão no sentido psicanalítico do termo. Aí ainda, "perversão" não é nem um pouco sinônimo de "perversidade", mas designa um modo específico de relação com o mundo. Tratar-se-á de mostrar, bem precisamente, o que está em jogo. E se, por enquanto, me limito a afirmar que esse crime está ligado à sexualidade, de imediato concebemos que ele tende, como o ato sexual, a se repetir. Por isso é que o crime perverso também é o ato do matador em série. Este, a cada (mau) encontro com o Outro, tem a mesma necessidade de reproduzir um crime idêntico, de repetir o mesmo ato mortífero preciso. A lógica é a da repetição, mas os acasos do destino decidirão pelo autor: às vezes será parado já no primeiro crime; outras, ao contrário, terá os meios e o tempo para produzir uma série notável. Será então reconhecido como Serial Killer. O grande público gosta da expressão Serial killer, que para todos evoca o filme de terror, o assassino estranho por sua monstruosidade, sua desmedida e sua ferocidade, bem como vítimas aterrorizadas, fazem chicanas sobre a categoria, mais especificamente francesa, de matador em série: certos criminosos seriam, e outros não poderiam pretender deles fazer parte. O essencial está em outro lugar. Que se diga serial killer ou matador em série, só é possível entender esse criminoso se for apreendida a lógica do crime, a lógica do ato. Não se pode elucidar o enigma da repetição sem entender primeiramente o mecanismo do ato primeiro. Em que o primeiro crime já contém a lógica de sua repetição? Vamos estabelecê-lo conforme avançarmos neste estudo, e descobriremos com o o ato criminoso perverso é o elemento primeiro, fundamental, de uma potencial série. Por que, por outro lado, escolhi chamar esse criminoso "autor" de um crime? Porque o ato criminoso perversos, que antes de mais nada é uma ação violenta exercida sobre o outro, sobre um parceiro que raramente consente, é igualmente o ato primeiro de um drama teatral ao qual o público, de maneira supreendente, assiste e do qual participa. Esse criminoso é, essencialmente, organizador de um espetáculo, em sua vida como em seu crime. E seu crime é uma encenação que visa, muito precisamente, a reação do público. Isto, que nunca foi identificado nem levado em conta, é um dos elementos fundamentais deste estudo da perversão criminosa. O autor do crime perverso, autor de um crime, é, antes de mais nada, autor e criador de um espetáculo pouco comum, montado e representado em nossa intenção. Por isso é que no mundo da mídia contemporânea ele prolifera, ao ponto de se tornar uma das vedetes de nossa sociedade do espetáculo.
Contexto da obra
Na Psicologia, livros como este costumam interessar tanto pela formação quanto pela reflexão que propõem. “O autor do crime perverso”, de Marie-Laure Susini, publicado pela editora Companhia de Freud, em 2006 e com 235 páginas, integra a categoria Livros de Psicologia. Esse enquadramento ajuda a situar melhor a obra entre leitura acadêmica, interesse clínico e reflexão sobre experiência humana.
Editora: Companhia de Freud
Páginas: 235
Ano: 2006
Edição:
Linguagem: português
ISBN:
ISBN13: 9788577240104
