
Título: O INFERNO DAS REPETIÇÕES
Autor: Sidney Rocha
Sinopse: “A princípio, eu ignorava suas cores, suas miudezas, mas gostava de ter nascido para proporcionar aquele lugar para ela, de ela ter o lugar para criar seu mundo. Olhar para aquelas coisas me fazia chorar, pois estavam ali seus sonhos, suas vontades materializadas, eu chorava por sua alegria, eu chorava porque amava aqueles objetos também, por aderência, por tabela, por amá-la, e não como um objeto, mas igual à constatação de um milagre. Sentada nessa cadeirinha ali ao lado, Violeta me disse de um pássaro ter entrado no escuro do nosso quarto na noite anterior e bicado seu rosto várias vezes. “E como você resolveu isso?” “Eu o benzi e ele foi embora. Era o diabo e eu o expulsei.” Este Inferno das repetições é o romance mais provocativo e inquietante de Sidney Rocha. Conta a história de Omar, vítima da biologia, da economia e do Destino, como todos nós. A tragicomédia se inicia quando a consciência e a existência começam um duelo para ver quem pode mais afetar e desorientar o pobre do personagem. Sim, trata-se de um romance sobre a passagem do tempo. O narrador põe em xeque as ideias de confiança e de memória. É um crédulo: para ele, há mais falsidade e distorção que verdade e clareza no mundo e na vida das pessoas. É também sobre a solidão. A solidão sozinha, a bem ou mal acompanhada, e da própria coletividade e da multidão. Tudo coexistindo num lugar onde as pessoas vivenciam suas guerras particulares, suas revoluções sem ideal. Onde o Medo é uma razão sombria que as esmaga, como se fosse um crime a se repetir indefinidamente. Na perdição em que se movem dia após dia, num país no qual a esperança se converte numa farsa, os infernos não são subterrâneos. Estão na mobília, na superfície dos objetos, de todas as coisas. Neste inferno onde tudo se multiplica em imaginação, conseguimos encontrar pessoas assim: “Aos 35 anos, os exames de imagens cranianas mostraram que ela não tinha um cérebro lá dentro. Nem mesmo uma sementezinha do tamanho de um feijão. Nada. Contudo, mesmo sem cérebro, a senhora Margareth havia se casado, teve filhos, é pastora da igreja, a melhor burocrata do Estado e se orgulha de jamais ter perdido a chance de votar pela democracia branca do país.” Além do desassossego e da ironia, este é o romance de Sidney Rocha em que a linguagem alcança o maior grau de depuração. O novo e o surpreendente são mais do que adjetivos fáceis, são “entregas” da prosa que se esmera em desnudar e até em dissecar os seus personagens por dentro e por fora. Omar, o sempre bem intencionado, a fugaz Violeta, o vaporoso Carlo a pragmática Nara, o amado Martin e até personagens impossíveis de se comentar aqui sem o risco de quebrar os mistérios deste romance, parecem ter mais alma que muita gente viva por aí. Constroem e destroem qualquer possibilidade de sursis ou purgatório nas relações. Tudo sob o véu mais covarde do mais covarde dos verbos: esquecer. Assim, para nossa salvação, tudo vira lava, pó e treva. Este inferno ou este país pontiagudo é um relato sobre o esquecimento do esquecimento. A falha. A interferência. O fracasso de todos os esquemas.
Contexto da obra
Na ficção, o interesse por um livro costuma começar na história, mas não termina nela. “O INFERNO DAS REPETIÇÕES”, de Sidney Rocha, publicado pela editora Iluminuras, em 2023 e com 230 páginas, integra a categoria Livros de Ficção. Por isso, o livro tende a ganhar mais presença quando o leitor observa também como a história é contada.
Editora: Iluminuras
Páginas: 230
Ano: 2023
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 6555192100
ISBN13: 9786555192100
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,300
- Altura (cm): 22,50
- Largura (cm): 13,50
- Espessura (cm): 1,80
Sobre a editora
Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.
