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O Mito da Grande Classe Media

Título: O Mito da Grande Classe Media

Autor: Pochmann Marcio

Sinopse: A economia política da mobilidade social recentemente retomada no Brasil aponta para duas questões especiais. A primeira se relaciona à tensão aberta em torno da abissal diferença de qualidade de vida entre ricos e pobres. Desde a década de 2000, a inclusão social em massa interfere na base geral da prestação de serviços baratos pelos pobres aos ricos. Por dispor de enorme força de trabalho barata e expressiva para atender aos serviços familiares e pessoais, as elites brasileiras, que detêm uma qualidade de vida consagrada pelo consumo equivalente ao dos ricos nos países desenvolvidos, contam ainda com uma verdadeira rede de serviçais. O salto na geração de ocupações formais reduziu sensivelmente o desemprego, sobretudo entre os pobres, tornando menos abundante a oferta de serviços baratos, o que implicou alguma transferência de renda privada das famílias ricas para as pobres. Na sequência, a elevação no padrão de consumo dos trabalhadores pobres impulsionada por políticas públicas inclusivas em áreas como educação, transporte e habitação gerou o desconforto da desmonopolização de oportunidades destinadas fundamentalmente aos segmentos de maior rendimento. A segunda questão emerge do entendimento de que a sustentação do crescimento econômico com geração de emprego pela maior progressividade no gasto público se tornou mais decisiva do que os atributos individuais dos emergentes no processo recente de mobilidade social. Do saldo de mais de 21 milhões de novos postos de trabalho abertos durante a década de 2000, despontou o protagonismo do setor terciário (serviços e comércio) e a concentração das remunerações em até dois salários mínimos mensais.Esse ambiente de forte geração dos empregos com menor rendimento se mostrou funcional à absorção da população trabalhadora pertencente à base da pirâmide social. No quesito atribuição pessoal dos brasileiros emergentes, a migração do campo para a cidade perdeu importância, com maior expressão urbana e de escolaridade entre os que mais ascenderam no país. O sucesso da retomada da mobilidade social proporcionada por reforço das políticas públicas tornou um mito a versão da grande classe média. Tal como nas economias desenvolvidas, o Brasil repete a possibilidade - cada vez mais distante do neoliberalismo em vigor no mundo - da ascensão e fortalecimento das classes trabalhadoras. Esse é o desafio a ser explicado pelo presente livro.

Contexto da obra

Nas Ciências Políticas, livros como este costumam dialogar com instituições, ideias e vida pública. “O Mito da Grande Classe Media”, de Pochmann Marcio, publicado pela editora Boitempo Editorial, em 2014 e com 152 páginas, integra a categoria Livros de Ciências Políticas. Esse enquadramento ajuda o leitor a perceber melhor a natureza analítica da obra e seu lugar no debate político.

Editora: Boitempo Editorial

Páginas: 152

Ano: 2014

Edição:

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 8575593706

ISBN13: 9788575593707

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,180
  • Altura (cm): 21,00
  • Largura (cm): 14,00
  • Espessura (cm): 2,70

Sobre o autor

A leitura dos livros de Pochmann Marcio conduz o leitor por análises densas e fundamentadas sobre a economia, o trabalho e as desigualdades sociais no Brasil. O tom é crítico e rigoroso, mas acessível, com ritmo que privilegia a exposição clara de dados e argumentos, mais do que a narrativa fluida ou ficcional. A tensão reside na confrontação entre a realidade dura do mercado de trabalho e as possibilidades de transformação social, deixando o leitor a refletir sobre os mecanismos que sustentam a desigualdade e a precarização. A experiência é menos emocional e mais intelectual, focada em compreender as causas estruturais e as consequências das políticas econômicas. Os textos sugerem um olhar atento às contradições entre crescimento econômico e exclusão, entre avanços e retrocessos.

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Sobre a editora

Os livros da editora Boitempo Editorial convidam a uma leitura densa e crítica, que atravessa temas como economia política, luta social, cultura e história com um olhar atento às contradições do capitalismo contemporâneo. O catálogo privilegia obras que exploram a interseção entre teoria e prática política, frequentemente com foco em marxismo heterodoxo, ecossocialismo e movimentos sociais, revelando tensões entre estruturas econômicas e experiências humanas. A linguagem tende a ser rigorosa e analítica, mas também acessível, com textos que mesclam ensaio, crítica e reflexão histórica, voltados para leitores interessados em compreender as raízes e os desdobramentos das crises sociais e ambientais atuais.

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