
Título: O Teatro de Cordel de Chico de Assis
Autor: Chico de Assis
Sinopse: Por volta de 1957, caíram em minhas mãos 800 livros de literatura de cordel. Eu nunca tinha lido nenhum deles, mas foi uma revelação. Encontrei naquelas obras ingênuas muito mais do que uma diversão literária. Investiguei as estruturas e achei que boa parte da estética popular brasileira estava ali naqueles livros de poucas páginas e grande conteúdo. Eu já havia escrito umas três peças teatrais quando intentei uma trilogia de cordel baseada naqueles livros. Na verdade, eu buscava a estrutura poética de um heroi brasileiro. Assim foi que nasceu Cearim, protagonista de O Testamento do Cangaceiro. Escrevi a peça sempre pensando no Lima Duarte, porque ele, para mim, foi o descobridor da estética do heroi rural brasileiro. Quando o Boal resolveu montar, no Arena, fui correndo buscá-lo para fazer o papel. A segunda peça da trilogia foi a busca de uma estrutura de épico-popular. Meu heroi, desta vez, era todos e não era ninguém. Como se as honras para um heroi popular não encontrassem senão todos os homens e mulheres do povo brasileiro. O heroi coletivo era o principal agente da peça As Aventuras de Ripió Lacraia. Zé Renato Pécora dirigiu no Teatro Nacional de Comédia e Agildo Ribeiro foi o Ripió. Fechando a trilogia, um heroi fabuloso e cheio de causos, isso porque eu o inseri à estrutura dos causos populares. Xandú Quaresma emergiu numa época de intranquilidade na vida nacional. Eram os anos de chumbo da ditadura de 64. Fiz dele um preso, pois os presos políticos eram as pessoas mais importantes do país. A peça ganhou uma estrutura de farsa acrescentada ao cordel e ao épico popular. O título explica mais um pouco: Farsa com Cangaceiro, Truco e Padre. Meu heroi, desta vez, foi vivido por um garoto que se iniciava no teatro, mas que já mostrava o talento que tinha. Antonio Fagundes viveu Xandú, com seus causos e mentiras. Afonso Gentil dirigiu a peça no Teatro de Arena. Além do trabalho experimental, uma peça surgiu da trilogia. Agora meu heroi era Galileu Galilei. Usei a essência do cordel de empregar grandes personagens em suas histórias. Mas meu Galileu não poderia ser senão da Galileia, com toda a sua prosopopeia. Meu heroi, agora, era representado pelo ator Carlos Meceni, Emílio Fontana dirigiu a peça no Teatro da Praça. Galileu da Galileia, além de todas as estruturas que eu havia já experimentado na trilogia, tinha a dimensão da rima popular. Era uma peça em verso. Verso caótico. A edição dessas peças é um presente que ganho da Imprensa Oficial. Mas devo agradecer muito a duas pessoas amigas, ao Rubens Ewald Filho e à Eliana Iglesias, pelo que está acontecendo agora. Chico de Assis
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “O Teatro de Cordel de Chico de Assis”, de Chico de Assis, publicado pela editora Imprensa Oficial, em 2009 e com 460 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Imprensa Oficial
Páginas: 460
Ano: 2009
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 8570607776
ISBN13: 9788570607775
Sobre a editora
Os livros da editora Imprensa Oficial costumam apresentar um recorte editorial focado em obras que exploram a história, a cultura e as instituições brasileiras com rigor documental e análise crítica. A experiência de leitura é marcada por narrativas densas, que combinam pesquisa detalhada e interpretação cuidadosa, como em estudos sobre imigração, arte sacra colonial e o desenvolvimento do cinema nacional. O tom varia entre o didático e o ensaístico, com um ritmo que privilegia a reflexão e o aprofundamento, direcionado a leitores interessados em temas culturais, sociais e históricos. O catálogo revela uma preferência por obras que dialogam com o patrimônio cultural, biografias e análises institucionais, oferecendo tanto relatos históricos quanto perspectivas contemporâneas.
