
Título: O vento que varre a casa
Autor: Marcia Matos
Sinopse: Primeira Estória 1920. Interior de São Paulo. Uma índia laçada por um fazendeiro e levada à força para ser sua mulher. Nunca entrara na Casa Grande. Nunca pronunciara palavra branca. Fora batizada como Maria Cândida. O fazendeiro, que tinha tantas mulheres quanto podia mantinha a índia como sua concubina. E nela fez seis pessoas. A primeira, um homenzinho. Meu avô. Certo dia, ela, após o almoço, pediu às crianças que buscassem água no poço. Cercou a tapera de algum combustível e entrou. Acendeu o fogo e caminhou de um lado para o outro dentro da casa enquanto as chamas consumiam seus longos cabelos e a libertavam do corpo, para voltar a ser ave, peixe, num outro lugar que fosse possível. Com oito anos meu avô assistiu a essa cena quando voltava com balde de água e irmãos menores. À distância necessária para não ser engolido pelas chamas. Grita por socorro até vir gente correndo da Casa Grande para acudir as crianças. Menos ele que não se deixa pegar. Corre por horas até que o corpo desmaie. Atravessa a fazenda para outro lugar e acorda entre tomates. Japoneses lhe perguntando quem era, de onde vinha. Nunca quis voltar. Morou com essa família até os dezoito anos, para quem sempre trabalhou e depois partiu.
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “O vento que varre a casa”, de Marcia Matos, publicado pela editora Patuá, em 2018 e com 160 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Patuá
Páginas: 160
Ano: 2018
Edição:
Linguagem: pt_BR
ISBN:
ISBN13: 9788582975497
Sobre a editora
Os livros da editora Patuá convidam o leitor a navegar por universos literários que exploram a intensidade das emoções e a complexidade das relações humanas, muitas vezes atravessadas por temas como memória, identidade e transformação. A leitura costuma oscilar entre o lírico e o inquietante, com narrativas que transitam entre o realismo poético e o fantástico, sem abrir mão de um tom reflexivo e, por vezes, melancólico. A prosa e a poesia se entrelaçam em textos que desafiam a linearidade, valorizando a fragmentação e a experimentação formal. O catálogo revela obras que dialogam com questões sociais atuais, como sexualidade, violência e silêncio, sempre com uma escrita que privilegia a densidade afetiva e o ritmo cadenciado.
