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Olho reavido

Título: Olho reavido

Autor: Luci Collin

Sinopse: O “olho reavido” deste novo livro de poemas de Luci Collin preenche o espaço entre o dito e o não dito. Luci ousa na escolha do que enuncia e no silêncio que fala (“o justo pejo do silêncio honrado na palavra feito olho”; “luz sem sombra, silêncio bruto”). Da leitura das imagens dos poemas, concluímos que o olho não é incisivo, que pode ser de “pérola e espanto”, pode ser um coração que sangra e ser ilusório o que vê. Enxerga os entardeceres e o escuro, o da “noite solitária e cega” de uma epígrafe de Agrigento. “Um olho de alcance enigmático e admissível” está também no esquecimento e na memória, “engenho e abrigo” que tornam presente a ausência. “Protege contra lembranças mutiladas”, segue os caminhos da melancolia e do desejo e vê a história fugir “nalgum cavalo fátuo porque tem seu próprio alfabeto.” Memória “de baú primitivo” (“sou longe e existida”): o que já foi e dolorosamente falta. Uma poesia “que resulta de sentimento” ― “sim, isso” ―, para parodiar uma epígrafe de Wallace Stevens, não teme o lugar do “eu”, aqui um “eu” oblíquo, contido, “severo” ou “extravagante”, que não se sobrepõe à segunda ou à terceira pessoa, nem às coisas (“o que é mais desconforme nisso tudo: eu mesma/ou/essa mesa que pus/com duas xícaras de chá”). Este “eu” está na substância sólida ou na mais etérea, naquilo que o olho vê ou a mão alcança (“eu nessa, tanto o vulto quanto o halo eu nisso”). Em palavras bem escolhidas, que surpreendem e desconcertam, os versos falam “do escasso e do tímido”, “sem permissão de água nenhuma”, e “insistem na exposição da nossa existência rala.” Poesia límpida, sem excessos. Precisa. Existem referências sutis e outras diretas, como a do poema intitulado “Cantares”, que evoca o Cântico dos Cânticos: ”seja prazer e louco proveito/ porque não guardo vinha nem preceito para além do arroubo/do gozo.” Cada verso deste livro deve ser observado com olho desapressado. “Tudo que é belo é lentamente”, diz um deles. João Almino

Contexto da obra

Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “Olho reavido”, de Luci Collin, publicado pela editora Iluminuras, em 2022 e com 108 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.

Editora: Iluminuras

Páginas: 108

Ano: 2022

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 6555191783

ISBN13: 9786555191783

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Luci Collin é um convite para um mergulho em uma linguagem que oscila entre o rigor e o jogo, a densidade e o humor sutil. Sua escrita frequentemente desafia a linearidade, propondo uma experiência marcada pelo estranhamento e pela fragmentação, que exige do leitor atenção para decodificar sentidos que se revelam entre fissuras e silêncios. A poesia e a prosa se entrelaçam em um ritmo que ora é contido, ora intenso, explorando o espaço entre o dito e o não dito, com personagens e vozes que se multiplicam e se desdobram. O tom pode ser ao mesmo tempo melancólico e irônico, com uma sensibilidade que capta o ordinário e o transforma em algo singular. Esse equilíbrio delicado entre o rigor formal e a leveza da ironia faz dos livros de Luci Collin uma experiência literária que desafia expectativas e convida à reflexão sobre a linguagem e a identidade.

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    Sobre a editora

    Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.

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