
Título: OLHOS VERMELHOS
Autor: ELENILSON NASCIMENTO
Sinopse: “As escolas não incentivam os alunos a comprarem livros. Os pais e educadores não incentivam a nada. Então, como é que a sociedade quer que esses jovens (*sem cérebro) comecem a ler?” Por Claúdio Pete Martins* O escritor baiano Elenilson Nascimento personifica o sonho de todo jovem escritor. Seus livros, a começar por “Palavras Faladas Fadadas Palavras” (edição independente/2002), ainda não o tornaram imensamente popular – coisa que se explica, pois a mídia literária só ovaciona os “letrados” midíaticos. Ele já foi professor, já recebeu prêmios literários e é sempre cortejado para colaborar com revistas e jornais on-line. Seu trabalho mais assíduo na imprensa, entretanto, acabou acontecendo numa publicação meio alternativa, o blog Literatura Clandestina, editado por ele mesmo e no ar desde 2003. Elenilson já escreveu dezenas de artigos reunidos em três antologias. A primeira delas, “Olhos Vermelhos – Crônicas indesejadas num lento (e inútil) mergulho em direção ao nada no país dos bruzundangas e outros escritos” (2006), acaba de ser relançada na Bienal do Livro da Bahia e celebra o prazer da leitura – ao mesmo tempo em que lamenta, com o seu humor típico, que tantos autores importantes resistam tanto em dar prazer a quem peleja por suas páginas. Usualmente se espera que um resenhista seja o mais neutro possível – uma espécie de entidade impessoal. As resenhas de Elenilson são exatamente o contrário. Um bom exemplo foi que, recentemente, os editores da importantíssima revista literária “Bravo” lhe pediram que resenhasse livros “a comentar de acordo com suas preferências pessoais”, onde ele poderia também abordar as circunstâncias nas quais tinha escrito as resenhas. A única limitação era esta: "não falar mal de ninguém". Quando Elenilson manifestou, em termos candentes, sua desaprovação a alguns livros, como “Leite Derramado” de Chico Buarque, “A Menina Que Roubava Livros” de Markus Zusak, “A Cabana” de William Young, a moda do momento com “Crepúsculo” de Stephenie Meyer, em detrimento de outros tantos não muito conhecidos, "rolou um quebra-pau básico". Resultado: não publicaram suas resenhas na revista. “O impasse foi solucionado na medida em que os valores da “Bravo” me fizeram pensar melhor no que e por que as pessoas compram livros”, disse Elenilson por telefone. Elenilson é muito franco quanto a seus gostos. Não lhe interessam, por exemplo, os autores que se propõem a renovar a linguagem ou as “modinhas do momento”: "Interesso-me pelo que a língua pode fazer por mim e passo muitas horas por dia procurando garantir o máximo de simplicidade à minha prosa". Um pornográfico? Sim, Elenilson já foi acusado disso. Mas no caso do escritor baiano não é uma pornografia enganosa, interesseira. Trata-se de afeto pela leitura e pelos leitores, um afeto genuíno, que o leva a constatar situações embaraçosas nem sempre mencionadas na crítica. "Se até Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Glauber Rocha e Saramago foram tachados de pornográficos por essa gente que não leu nada e não gostou. Ora, é uma honra ser pornográfico também. O tédio, sejamos francos, é um problema que muitos de nós associamos aos livros. E é por isso que muitas vezes escolhemos fazer qualquer coisa, menos ler. As escolas não incentivam os alunos a comprarem livros. Os pais e educadores não incentivam a nada. Então, como é que a sociedade quer que esses jovens (*sem cérebro) comecem a ler?”. O prazer na leitura, diz Elenilson, é fundamental. Já o livro “Olhos Vermelhos...” abrange artigos sobre política, arte, comportamento e, principalmente, literatura. Elenilson disse uma coisa bem interessante: "Quando eu estiver discutindo (*porque provavelmente não vão me deixar entrar) com São Pedro nos portões do Paraíso, vou sugerir que ignore a coluna “Títulos lidos” das revistas semanais e se concentre na coluna “Títulos comprados” do meu blog, pois é muito mais interessante ". Sobre livros, Elenilson extrai conclusões muitas vezes pitorescas. Assim, acha sobre “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera: “Não é o tipo de livro que fica por muito tempo ao lado da minha cabeceira, mas tenho que admitir que por alguns momentos ele me fez flutuar sensivelmente entre os discursos filosóficos de Confúcio, Pascal ou até mesmo de Nietzsche – e também a mera narrativa amorosa de romances de quinta categoria de bancas de revistas”. Sobre “A Revolução dos Bichos” de George Orwell: “Não tem nada de livro infantil e inocente, pelo contrário, é um livro matador, de extrema importância para entendermos o funcionamento de sociedades comandadas por diferentes tipos de governo, além de mostrar de forma genial a ambição do ser humano, o "sonho do poder" da grande maioria dos mortais”. E ao ser perguntado sobre um livro que levaria para uma ilha deserta: “Levaria o “Dicionário de Suicidas Ilustres” de J. Toledo, pois a conclusão a que o autor desse surpreendente dicionário deve ter chegado é que ninguém parece estar a salvo de se matar, perplexidade, esta, demonstrada também na epígrafe que escolheu para seu livro”. Em seguida, adverte: "Ah, pessoal, dá um tempo! Isso é diferente de dizer que é longo demais. Longo demais significa que você não gostou. Curto demais quer dizer que você curtiu". Elenilson também observa que, quanto menos um escritor tem a dizer sobre um tema, mais obscuro ele será. Em meio aos comentários negativos sobre a sua literatura, ele fala de seu próprio cotidiano: sua vida como brasileiro sem esperanças no País, como consumidor de música on-line, como viajante. Mas o resultado disso tudo é que Elenilson tem uma escrita que informa, que faz pensar, emociona e, sobretudo, diverte. * Claúdio Pete Martins é poeta, jornalista e produtor cultural. Essa resenha foi publicada no Caderno Cultural da Tribuna da Bahia, no Boca de Brasa e no site oficial da Bienal do Livro. fonte e imagens: Via Press Comunicação
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “OLHOS VERMELHOS”, de ELENILSON NASCIMENTO, publicado pela editora Edição do Autor, em 2006 e com 2555 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Edição do Autor
Páginas: 2555
Ano: 2006
Edição:
Linguagem: português
ISBN:
ISBN13:
Sobre a editora
Os livros da editora Ediçao do autor apresentam um perfil editorial que privilegia narrativas densas e variadas, com forte presença de temas ligados à história local, esportes e questões sociais. A experiência de leitura costuma alternar entre relatos biográficos, crônicas e romances que exploram realidades humanas complexas, como comunidades marginalizadas e trajetórias pessoais marcadas por desafios. O tom varia do poético ao investigativo, passando por textos que mesclam emoção e análise, com ritmo que pode ser tanto contemplativo quanto tenso, dependendo do tema. O catálogo sugere uma atenção especial a histórias que trazem à tona memórias culturais, esportivas e religiosas, além de obras que abordam o autodesenvolvimento e a crítica social.
