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Ornitorrincos são de Urano

Título: Ornitorrincos são de Urano

Autor: Kim Doria

Sinopse: casas são feitas de tijolos, lares são feitos de amor (o rabino disse) do trânsito repare em um viralata médio porte deitado sobre o muro da varanda feito gato meio esfinge observando atento o trânsito de carros risadas rabos, contando, um dois três quatro, é este o apartamento em que vai narrar tua vida por sete quase oito anos completos. proibido estacionar nem por um minuto, aviso que por ter lido pela primeira vez quando aprendeu a ler te parece que foi escrito por sua vó, segue o aviso sem a avó. a garagem ensolarada que acolherá uma horta que receberá a ratinha louka primeiro enterro que seu filho fará questão de tomar pra si com as próprias mãos, o corpo na terra e a estrela no céu a curiosidade de desenterrar pra ver se ainda está lá acerolas e amoras daqui alguns anos será somente aqui que poderá encontrar quem puder te visitar de máscara e distante reencontrar aprender a cair do skate havia um chifre de veado na árvore que teu vizinho levou e o coração da bananeira que tomou ao seu peito e depois seu tio comeu sem pedir licença. o tranco do elevador que segue surpreendendo quem não foi avisade, quando entrar pela porta que seja com o pé direito, sempre o pé direito, por sete quase oito anos completos. tome um instante ou alguns anos para se perguntar o que leva alguém a trocar o taco por esse chão de pedras horrorosas, das mesmas mentes que trouxeram: tirar a banheira que todes us vizinhes têm menos você. quando chegar o dia de tirar a geladeira de seu canto, atente à sujeira que acumulou nesses anos, os azulejos cedendo ferida aberta caídos ao chão, isso é e não é um eletrodoméstico em movimento tampouco uma metáfora. houve uma noite uma queda com as luzes apagadas, sobre isso não há instruções que deem conta, saiba apenas que a cicatriz segue contigo e a luz permanece acesa como hábito até que a lâmpada queime e não caiba mais a nós trocar. lustres antigos que nunca vai trocar um projeto inacabado. a estante que vai se transformar madeira escura camponeses repousam depois do almoço branco acrílico livros dvds xixi de cachorro brinquedos um penico tatuagens temporárias de dinossauros porta-retratos e a samambaia que vibra nossa teimosia. o sofá verde, te dizem, está acabado, mas sobre o sofá verde seguimos sem definições, são muitos odores manchas sorrisos e silêncios: não é um trampolim de tal forma que perdeu um dos pés sem perder as histórias. pinte a cristaleira de azul sem tirar do lugar, a síntese de gerações: tenha cuidado, o espelho refletirá: o nascimento de familiares o seu de teu filho tua careca brotar e o sucesso que vai fazer em lives. da janela, noites mal dormidas tentando fazer o bebê parar de chorar, será aí que aprenderá a gritar ô zé volta aqui zé. difícil avaliar como se faz para dormir com as persianas verdes fechadas, para abafar o barulho recomendamos a instalação de janelas antirruído. não se assuste quando o chuveiro pegar fogo não uma mas duas vezes o teto ficará preto é assim mesmo. no primeiro quarto à sua esquerda os entulhos farão espaço para o que há de mais precioso que está por vir será esta a primeira vez que pintará uma parede e com formas geométricas em tons suaves de verde menta campestre receberá seu filho apesar dos registros em polaróide venho por meio deste lhe pedir: por favor, podem derrubar o edifício inteiro detonem o quarteirão ponham abaixo a cidade mas mantenham esta parede como está.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Ornitorrincos são de Urano”, de Kim Doria, publicado pela editora Libertinagem, em 2024 e com 112 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Libertinagem

Páginas: 112

Ano: 2024

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 6584688992

ISBN13: 9786584688995

    Sobre a editora

    Os livros da editora Libertinagem trazem uma leitura marcada por vozes intensas e subjetivas, que frequentemente exploram emoções cruas e experiências pessoais em narrativas densas e poéticas. O catálogo revela uma preferência por textos que transitam entre o fluxo de consciência e a poesia, com um tom introspectivo e às vezes melancólico, onde o cotidiano e o íntimo se entrelaçam com temas como memória, dor, e relações humanas. Há obras que se aprofundam em conflitos internos e existenciais, enquanto outras apresentam relatos de ambientes sociais e comunitários, sempre com uma linguagem que privilegia o sensorial e o emocional. O material de apresentação indica que a editora valoriza uma escrita que não se prende a formatos tradicionais, mesclando prosa e poesia, e que pode oscilar entre o narrativo e o fragmentado.

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