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PALAVRA NENHUMA

Título: PALAVRA NENHUMA

Autor: Sais Lilian

Sinopse: “A gente só se afoga quando perde/ a calma” — a voz que recupera essas palavras, ditas num mergulho no mar há muitos anos, é a de uma poeta que acaba de perder o pai e se vê à deriva entre as memórias e sensações que lhe atravessam. Lilian Sais, em Palavra nenhuma, escreve como quem procura se reorientar dentro de si após o baque da despedida. Para lidar com a morte, ela volta ao próprio nascimento, o momento em que o pai lhe deu um nome que termina com “n de navio”. Embarcar nesse vínculo profundo com o pai é o início de uma jornada de afetos em que ela tenta reencontrar e reconstruir a memória da relação entre eles. Para se orientar, Lilian recupera os presentes que ganhou do pai e conversa com eles ou, por meio deles, com ele, Roberto. Feitos para ajudar a localizar onde estamos no tempo e no espaço — uma ampulheta, um telescópio, uma bússola, um relógio —, agora eles são os instrumentos de aproximação entre o universo perplexo do luto e aquele em que a poeta nasceu, o lugar no qual o pai ficou enquanto Lilian cresceu (aprendeu a nadar sozinha, viajar por aí, ler grego antigo) e ao qual a poeta precisa voltar para encontrá-lo — encontrar-se, no fundo. E não afundar. A vida não pode ter terminado assim: “palavra nenhuma” que cai como um grão de areia entre tantos que caem na ampulheta. Diante da atendente da funerária, para quem “não tem nada pior/ que uma unha partida”, a poeta tem que responder se o falecido deixa filhos: “eu digo sim/ eu digo eu”. E, assim, no ponto em que a história poderia terminar, ela recomeça. Esses versos que dizem tanto com tão pouco, atando as pontas da vida para manter por perto o que ama, ensinam que é preciso reencontrar esse “eu”, perdido numa “casa/ [em que] nunca falávamos/ das perdas”, sem “palavras/ ditas por inteiro”, agarrando-se a elas como tábua de salvação

Contexto da obra

Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “PALAVRA NENHUMA”, de Sais Lilian, publicado pela editora Círculo de Poemas, em 2024 e com 40 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.

Editora: Círculo de Poemas

Páginas: 40

Ano: 2024

Edição:

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 6584574911

ISBN13: 9786584574915

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,080
  • Altura (cm): 20,00
  • Largura (cm): 13,50
  • Espessura (cm): 1,00

Sobre a editora

Os livros da editora Círculo de poemas convidam o leitor a habitar territórios poéticos que transitam entre o íntimo e o coletivo, entre memórias pessoais e histórias maiores. A experiência de leitura costuma ser marcada por uma atenção cuidadosa à relação entre palavra e espaço, seja na casa, no bairro, ou em mapas imaginários que orientam os poemas. O catálogo privilegia obras que exploram o tempo de forma não linear, com poemas que dialogam com imagens, documentos históricos e experiências de luto, criando atmosferas densas e multifacetadas. Em alguns casos, a poesia se apresenta com humor e irreverência, enquanto em outros, assume um tom mais meditativo e político. A diversidade do acervo sugere um equilíbrio entre obras que desafiam formas tradicionais e outras que se ancoram em referências culturais e históricas específicas.

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