
Título: Periferias no Plural
Autor: Organizadores: Paulo César Ramos
Sinopse: A periferia emergiu como questão fundamental das pesquisas urbanas brasileiras na dé- cada de 1970. Tratava-se de um termo empregado pela academia para designar territórios distantes do centro das cidades, carentes de infraestrutura, onde se concentrava a popula- ção pobre, predominantemente migrante, em terrenos irregulares e casas autoconstruídas. Eram os territórios das chamadas classes populares urbanas e berço de novos personagens que entraram na cena política como atores cruciais para a redemocratização brasileira. Contudo, a periferia passou a ser vocalizada como categoria identitária apenas a partir da década de 1990. O periférico, antes objeto de pesquisas, assumiu a posição de sujeito enunciador de sua própria experiência e perspectiva, bem como de denunciador da per- sistência da pobreza e da precariedade e o crescimento da violência, apesar da mudança de regime político e de transformações em porções destes territórios. Deste momento em diante, assistimos a um verdadeiro transbordar das periferias. Primei- ramente através das produções artísticas e culturais que, tendo o rap e o hip-hop como vanguarda, assumem variadas modalidades, fornecendo elaborações incontornáveis dos sentimentos e mentalidades de negros e pobres. Além disso, as políticas públicas dos anos 2000 resultaram na inclusão de significativa parcela de jovens periféricos nas universidades. Ou seja, são negros e pobres ocupando centros de produção de conhe- cimentos, narrativas, histórias. Vemos, agora, uma enorme disseminação da identidade periférica. Movimentos político-culturais das mais diversas origens e clivagens (urbanas, rurais, interioranas, tradicionais, originários etc.) encontraram na categoria “periferia” uma síntese de suas condições e propostas de transformação. Se há elementos comuns às várias acepções do periférico aqui mencionadas, certamente passam pelas lutas por democratização e reconhecimento no Brasil contemporâneo. A periferia representa a aliança de sujeitos que incorporam uma série identidades subal- ternas em luta. Na história brasileira das últimas décadas, sempre que vislumbramos um periférico ocupando uma posição de poder, estamos diante de uma evidência incontes- tável de democratização. Danilo França (UFF / AFRO-CEBRAP) Danilo França é professor de Sociologia da Universidade Federal Fluminense e Pesquisador do Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Periferias no Plural”, de Organizadores: Paulo César Ramos, publicado pela editora Fundação Perseu Abramo e Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil, em 2023 e com 487 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Fundação Perseu Abramo e Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil
Páginas: 487
Ano: 2023
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6556260983
ISBN13: 9786556260983
