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Primeira Manhã

Título: Primeira Manhã

Autor: Dalcídio Jurandir

Sinopse: Trecho da obra: "Alfredo saiu, saíram outros, sai a colega a sorrir para ele, logo disto se deu conta, trancou o rosto. Alfredo desceu ao pátio, com Belmira a seu lado, pensando no bruxo das letras góticas e das ginjas, o professor Chiquinho, nas meninas rosadas do Cícero Câmara. E do pátio, onde rodou só, já agora ferido pela indiferença geral, subiu para a aula de francês, a primeira. Francês! E não estás aqui , Luciana, nem ao pé da janela - quanto apreciavas! -, o senhor, meu pai, La chef du diagnostic, tão empoeirado, as traças comiam. Mas de onde vem esta, balançando as argolas, endureceu no estrado, uma estaca de gola gema de ovo, sapato alto, o dedo sobre a aula como um verme? Toda ela é um giz de saia, o colo de tábua, o catarro didático na voz que esganiça, ralha corda solta, é francês, sim ou não? Não dispare, não dispare (ah cheirosas e lentas professoras), e aqui ao lado este sarro, o nome Grammaire, sinistro o quadro-negro, e toda alvaiade e urgente, a professor na pista a língua chicoteia, abre a jaula de onde saímos, tentamos engolir no ar o pronunciar rouco, saltamos sobre a presa, de goela no chão caímos, estala o francês da domadora. Present, presente d’indicatif. Andreza, mira, não me invejas? E de dentro do bolso: não te envergonhas? lhe diz a sempre menina, começou a recender piquiá cozido, chove por dentro do peito uma tal chuva que enche Cachoeira, chalé de bubuia, precisou o jacaré cego vir acudir, rebocando a casa, encalhou num raso defronte de uma ilhinha branca mas branca-branca. Faz só: xô! Toda a ilhinha se levantou, voou, era de só garça. E aqui de mentira a sabichona garça azeda, feroz de pronúncia e fígado, ganindo furiosamente a sua aula."

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Primeira Manhã”, de Dalcídio Jurandir, publicado pela editora Martins, em 1967 e com 248 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Martins

Páginas: 248

Ano: 1967

Edição:

Linguagem: português

ISBN:

ISBN13:

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Dalcídio Jurandir conduz a um universo onde o ritmo é por vezes lento e contemplativo, marcado por uma prosa densa que convida à imersão profunda. A narrativa se desenrola com uma tensão sutil, construída a partir de personagens que vivem entre o íntimo e o mundo exterior, especialmente em contextos ribeirinhos e urbanos do Pará. Há um contraste constante entre a simplicidade da vida no campo e as complexidades da cidade, revelando camadas emocionais e sociais com delicadeza e rigor. A linguagem pode ser ao mesmo tempo lírica e objetiva, criando imagens vívidas que permanecem na mente do leitor. Nos livros de Dalcídio Jurandir, a experiência é de um olhar atento às transformações humanas e ambientais, deixando perguntas sobre identidade, pertencimento e memória.

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