
Título: Redescoberta de Debret no Brasil Modernista, A
Autor: Trevisan Ricardo
Sinopse: Foucault disse, em História da Sexualidade II – O Uso dos Prazeres, que problematizar é a “tarefa de uma história do pensamento por oposição à história dos comportamentos ou das representações: definir as condições nas quais o ser humano “problematiza” o que ele é, e o mundo no qual ele vive”. É isso que se pode esperar da leitura do profundo trabalho de investigação executado neste livro por Anderson Trevisan. Fundamentado no que há de mais instigante nas análises fincadas na Sociologia da Arte (os textos de Pierre Francastel, que inventa a disciplina na França dos anos 1950), temos sempre em primeiro plano de análise uma investigação direta das obras de arte, aqui as páginas da revista, eleitas como elemento primordial de constituição de significados. Com isso se escapa de alguns modismos, atuais e antigos, de ver as manifestações artísticas como “reflexo” das condições sociais nas quais nasceram ou, mais atualmente, como mera derivação de “estruturas objetivas” e/ou posicionamento de autores e mecenas em lutas por poder, simbólico ou não. Este trabalho de Anderson começa, na verdade, anos atrás, quando elaborou sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da fflch-usp, sob o tema de “Aquarelas do Brasil: estudos sobre a arte “documental” de Debret.” Aqui, a pesquisa deslindou as dificuldades de um pintor francês, aluno de David, que aporta em terras brasileiras como membro da Missão Artística Francesa de 1816, com o intuito de tentar pintar esta estranha combinação entre realeza e trópicos, com baixíssimo índice de urbanização e apropriação bastante diferencial do que poderia ser concebido como civilização. Agora, neste novo trabalho, todo este arcabouço de conhecimento se volta para um novo fenômeno social: a “redescoberta” de Debret no Brasil modernista. Redescoberta, à beira da reinvenção, que força o olhar investigativo a também se reinventar, problematizando o que vê, mas também o que se sabe sobre o que se vê, para dar conta desta imersão bastante peculiar que as telas e aquarelas de Debret vão encontrar nas páginas de uma revista impressa, de circulação imprecisa, que utiliza Debret não mais como alguém que colaborou na constituição da dimensão simbólica da realeza portuguesa em terras brasileiras, mas agora na direção da constituição de uma nação que quer se pensar e imaginar moderna e republicana. Sobre o autor: Anderson Ricardo Trevisan é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo, onde realizou também seu pós-doutoramento, com estudos sobre pintura e cinema. É pesquisador do Grupo de Pesquisa em Cinema e Literatura da Unesp de Marília e pesquisador colaborador e docente credenciado do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp, trabalhando junto ao projeto de cooperação internacional A circulação transatlântica dos impressos: a globalização da cultura no século XIX.
Contexto da obra
Na área de Artes, livros como este costumam interessar pelo repertório visual e pela reflexão estética. “Redescoberta de Debret no Brasil Modernista, A”, de Trevisan Ricardo, publicado pela editora Alameda Editorial, em 2015 e com 449 páginas, integra a categoria Livros de Artes. Esse contexto costuma ser útil para perceber como o livro pode ampliar olhar e sensibilidade.
Editora: Alameda Editorial
Páginas: 449
Ano: 2015
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 8579393140
ISBN13: 9788579393143
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,650
- Altura (cm): 23,00
- Largura (cm): 16,00
- Espessura (cm): 2,00
Sobre a editora
Os livros da editora Alameda Editorial convidam a uma imersão em temas históricos, políticos e culturais com abordagens que equilibram rigor acadêmico e acessibilidade. A experiência de leitura é marcada por narrativas que vão do detalhamento documental à análise crítica, muitas vezes com foco em períodos e processos sociopolíticos brasileiros e latino-americanos. As obras exploram tensões entre centro e periferia, entre memória e representação, e entre teoria e prática política, sempre com um olhar atento às dinâmicas sociais e culturais. O catálogo revela um perfil editorial que privilegia textos densos, porém claros, que dialogam com leitores interessados em reflexões profundas sobre história, política, cultura e direitos humanos.
