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Romanceiro de Dona Virgo

Título: Romanceiro de Dona Virgo

Autor: Claudio Daniel

Sinopse: Ondas do mar de Vigo, verde mar, musgo, mofo, muco; verde malva, jaspe, jade ou junco. Vera viçosa, fremosa, velida, tecido sem vinco; negra ninfa, niña de Mama África, de São Salvador, filha de Oxum, en las calles de vieja España, onde os teus olhos, onde os teus peitos, moça de virgo? Vera olhos verdes, vê-la é vício, não vê-la é vírus, seu cheiro: folha de ipê, folha de figo, só folhas; aloés, baobá, broto de bambu, begônia, branco alecrim, visgo. Penso em tua pele, não prata, aljôfar ou espuma, mas seda azeviche, seda escura, de brancaflor noturna , em tua voz, que sussurra ao coraçon, e em teus olhos, que falam para a alma. Praza-vos já que vos veja no an, hua vez d’un dia! Só ela, a moura moçela, faz o meu sangue ferver: a que partiu sem me ver, sem se dar. Eu me lancei à viagem, sem temer a voragem, cruzei terras e mares, atrás dessa dona de mim, que me fez danado, e nulhas guardas migo non trago, ergas meus olhos que choran ambos. Estou aqui, em Vigo, Vicus Sacorum, nas encostas de Cerro Castelo, na Galícia, há três dias já, e esta cidade é todo lugar, é lugar nenhum, sua estranha beleza: escamas argênteas de peixe ao sol. Sigo e persigo essa molher em vilas, vales, vielas, como a seta persegue a caça, mas, esforço inútil, de todo fútil: ela se evola, de viés, desvanece, dissolvida no ar do ar. Jogo de esconde entre o nada, o nenhures e o coisa alguma, que começa em qualquer parte e termina, talvez, além-alhures, dois passos à esquerda de lugar algum. Ela, a moçelinha, dona de mui ben parecer, apartada de mim, por quê, para quê?, pergunto a São Simeão, em sua ermida. Quand’ eu vejo las ondas e las muyt’ altas ribas, logo mi veen ondas al cor pola velyda: maldito sea l’ mare, que mi faz tanto male! (Do livro Romanceiro de Dona Virgo, ed. Lamparina, 2004.)

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Romanceiro de Dona Virgo”, de Claudio Daniel, publicado pela editora Lamparina, em 2004 e com 126 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Lamparina

Páginas: 126

Ano: 2004

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 8598271179

ISBN13: 9788598271170

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Claudio Daniel oferece um mergulho em universos que transitam entre o concreto e o simbólico, o político e o lírico, o real e o mítico. Sua prosa e poesia se apresentam ora densas e elípticas, ora repletas de imagens vívidas e tensas, que convidam a uma experiência sensorial e intelectual ao mesmo tempo. O ritmo pode variar da cadência meditativa e contemplativa ao pulso dramático e urgente, especialmente quando aborda temas como conflitos globais, tensões sociais ou mitologias reimaginadas em contextos urbanos contemporâneos. A construção dos personagens e das vozes narrativas frequentemente desafia o leitor a decifrar camadas de significado, entrelaçando o cotidiano com o sagrado e o político. Em seus textos, há uma atenção constante à linguagem como instrumento de criação e transformação, que provoca o leitor a se envolver com o indizível e o simbólico. Navegar pelos livros de Claudio Daniel no catálogo é entrar em um espaço onde o olhar crítico e a sensibilidade poética caminham lado a lado.

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    Sobre a editora

    Os livros da editora LAMPARINA apresentam um diálogo intenso com temas ligados à educação, direitos humanos e questões sociais contemporâneas, frequentemente explorados por meio de estudos de caso, análises críticas e relatos de experiências. A leitura desses textos convida o leitor a refletir sobre a formação docente, as práticas escolares e as dinâmicas sociais que permeiam a educação pública no Brasil, com atenção especial à diversidade cultural e às desigualdades. O tom predominante é analítico e comprometido, com narrativas que mesclam pesquisa acadêmica e proposições concretas para transformação social. O catálogo da LAMPARINA é marcado por obras que, em sua maioria, privilegiam abordagens críticas e reflexivas, com ritmo que varia entre o ensaístico e o documental.

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