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Seleta de Krishnamurti: 160 obras do autor

Título: Seleta de Krishnamurti: 160 obras do autor

Autor: Jiddu Krishnamurti

Sinopse: O livro “Seleta de Krishnamurti”, do falecido ex-vice-presidente da ICK Carlos de Souza Neves encontra-se esgotado. Trata-se de uma coletânea de excertos de 160 obras de Krishnamurti, que Souza Neves selecionou durante doze anos e compilou sob uma taxonomia bastante abrangente, em cerca de 800 páginas e 136 capítulos. O livro é uma coletânea de excertos de palestras, diálogos e discussões, selecionados por Souza Neves e agrupados por tema, citando sempre as fontes, que, em grande parte, são livros esgotados, o que reveste esta obra de uma importância maior. A Seleta de Jiddu Krishnamurti – Nova Edição é um livro sui generis, que esperamos venha pavimentar o caminho daqueles que buscam em Krishnamurti o entendimento dessa complexa matéria chamada vida. --- Krishnamurti (Jiddu) (1895-1986), iluminado indiano, conhecido nos cinco continentes, teria atingido a santidade, a sabedoria, em 1925 e, posteriormente, novas ampliações da consciência. A sua vida, constante das várias biografias, se encontra resumida na Introdução, que também reproduz amplo documentário sobre o seu relacionamento com os Senhores Cristo e Buda. Teriam estes se servido dele como instrumento para uma Mensagem aos homens neste “fim de tempos”. Cerca de dez perguntas lhe foram feitas por ocasião de conferências em auditórios, se era ele o Cristo de volta, o Messias esperado, e ele, com palavras adequadas, respondeu em sentido afirmativo. Do elevado número de seus livros e panfletos, incluindo os não publicados em português, foram escolhidos textos representativos (os melhores encontrados) sobre cada um dos temas por ele tratados, os quais foram distribuídos em capítulos que seguem uma ordem progressiva, de forma que os posteriores dependem do conhecimento dos anteriores. O conjunto de seus ensinamentos expressa a base de uma nova espiritualidade destinada ao presente-futuro, acima das religiões. Em “A Arte da Libertação”, diz ele que sua Mensagem é para todos, sem levar em conta a posição social, o temperamento, etc. (p. 35) Vive-se numa época de unidade do mundo. A cultura oriental veio para o ocidente e vice-versa. A ONU constitui o embrião de um governo mundial. No campo religioso, surgiram o Ecumenismo e a Teosofia (eclética). A Mensagem de Krishnamurti, também universal, é abrangente, com ênfase na urgente mutação do homem. Todo livro apresenta uma exposição do respectivo assunto (miolo), e, espaçadamente, aspectos conclusivos (sínteses). Este volume, porém, se compõe quase exclusivamente desses últimos, constituindo assim um compacto, daí a distribuição da matéria em capítulos pequenos, que facilitam a leitura. As obras de Krishnamurti começaram a ser editadas no Brasil a partir da década de 1920. Cerca de 75% estão esgotadas em português, e os textos de enriquecimento das não traduzidas para o vernáculo (30 aproximadamente) foram aqui incorporados. A presente Antologia proporciona, assim, uma visão de conjunto do pensamento do autor em referência. Na Introdução, com 34 páginas, procurou-se dar uma idéia da magnitude e do esplendor de Krishnamurti e do trabalho que realizou em todo o planeta. O Índice do livro, com 136 capítulos, e a Bibliografia, com suas 160 obras, evidenciam a importância desta Seleta. Equivale a ler, por amostragem, toda a matéria enunciada. ------ Pensamentos de Krishnamurti A vida é, e tem de ser, uma série de desafios e “respostas”. E, se temos capacidade de responder a eles de maneira adequada, completa e direta, desaparecem então os problemas. O propósito último da existência individual é realizar o ser puro, em que não há separação, que é a realização do Todo. A individualidade é apenas um fragmento daquele. Por que dependemos psicologicamente? Evidentemente, porque interiormente somos insuficientes, pobres, vazios. O enclausuramento no “eu” faz-nos dependentes de pessoas, saberes, bens. A maturidade não vem com o tempo nem com a idade. É aquele estado no qual cessou toda forma de escolha. Só a mente inocente é madura, e não aquela que acumula conhecimentos. Só pode haver amor quando se compreende o processo integral da mente. O amor só pode existir quando ausente o pensamento do “eu”. Vereis então que o amor nada tem que ver com os sentidos. Separamos o intelecto do sentimento, desenvolvemos o intelecto à custa do sentimento. O basear-se só no intelecto ou só no sentimento conduz ao desequilíbrio. É preciso muito cuidado com esta palavra “intuição”; nela se encerra muita ilusão. Se compreenderdes com todo o vosso ser, sem escolha, então brotará a flor da intuição, do discernimento. Nosso pensamento-sentimento está colhido no processo horizontal do “vir-a-ser”. O que vem a ser está sempre acumulando, se expandindo. O ego, o que vem a ser, o criador do tempo, jamais pode conhecer o Atemporal. A causa da dualidade é o desejo, o anseio; pela sensação e pelo contato surge o desejo, o prazer, a dor. É só compreendendo o seu mecanismo que podemos transcender o conflito dos opostos. Cada um de nós tem uma imagem daquilo que “deveria ser”. Todos nós nos colocamos em níveis diversos e estamos a cair dessas alturas. Se não existe um pedestal sobre o qual nos colocarmos, como pode haver queda? Enquanto alguém tiver uma imagem de si próprio, fica sujeito a magoar-se (ferir-se). Se a pessoa estivesse totalmente livre de imagens, não seria afetada nem por ofensas nem por adulações. Como poderá o “eu” – que constitui todo o processo do nosso pensar-sentir – terminar, cessar? Ele só poderá ser dissolvido pelo autoconhecimento, observando-se em suas expressões, sendo como nada, ninguém. A morte psicológica tem um sentido transcendente. O findar do “eu” significa o término das lembranças, das dores, do orgulho, ciúme, vaidade, etc. Com a morte do conhecido, surge o desconhecido. Pode a mente permanecer no estado de “não saber”? O homem que diz “eu sei”, não sabe. Entretanto, o que “não sabe” acha-se num processo de investigação. Só ele é capaz de descobrir a verdade. Meditação é estar cônscio das atividades da mente do meditador (eu). Constitui um processo de descondicionamento. Significa observar cada pensamento, sentimento, sem resistência, sem condenação. Por que se tornou o sexo um problema em nossa vida? Não é porque somos incompletos mental e emocionalmente? O pensar criador nos torna livres do ego. Onde está o amor, está a castidade, a pureza. A religiosidade verdadeira é um estado que transcende o “ego”, o conhecido. A capacidade de enfrentar o novo com o novo, é um estado criador de verdadeira espiritualidade, que prescinde da sociedade. Fazer da mente um cérebro eletrônico é funcionar maquinalmente. A atividade de acumular é um obstáculo à compreensão do Real. A mente deve atuar como inteligência, e não como banco de dados. Sois capazes de citar uma dúzia de livros, mas não conheceis a vós mesmos. Sois entes humanos de “segunda mão”, e os problemas exigem uma mente de “primeira mão” (original). É possível acharmos a luz dentro de nós mesmos, para que nunca precisemos recorrer a outros? Isso significa que devemos ser capazes de estar sós, desamparados, sem dependermos de ninguém. Não há compreensão no culto das personalidades. Os rótulos que adorais carecem de significado. A verdade transcende todas as graduações, porquanto estas só existem por causa das limitações humanas. A verdade é totalmente nova, livre. A ela não podemos chegar com idéias preconcebidas, não é experiência alheia. Sabedoria não é acúmulo de conhecimentos, experiências. Encontra-se no Atemporal, no Imensurável. ---- Entrei em contato com os livros de Krishnamurti há cerca de quarenta anos. Desde o início, comecei a perceber que as suas idéias estavam muito acima de tudo quanto eu tinha lido em matéria de filosofia e religião. Os seus ensinamentos, no conjunto, constituem, sem dúvida, uma Mensagem de renovação religiosa, espiritual, para os nossos tempos e o porvir. Ele fala repetidamente na inadiável mudança do homem, já que a atual crise social reflete o que o homem é. Apresenta esta Seleta os ensinamentos de Krishnamurti por amostragem, através de seus cento e trinta e seis capítulos, dispostos em apropriada ordem, progressiva. Será de grande utilidade, já que pouca gente dispõe de tempo para ler os seus cento e sessenta livros e panfletos. Além disso, setenta e cinco por cento deles, aproximadamente, se encontram esgotados. Não consta ter surgido no mundo obra de tal envergadura. Revela enorme trabalho de pesquisa, sacrifício e paciência. Beneficiará ela não só os religiosos, espiritualistas, de todas as denominações, o grande público, como também os que trabalham nas áreas da educação, psicologia e psicanálise. Merece a iniciativa a gratidão e o apoio de todos os interessados em Krishnamurti. Myres Lourenço Lagioto Eng.; ex-Presidente da ICK, membro do atual Conselho Diretor Introdução; A Mensagem de Krishnamurti A apresentação de uma Obra como a presente é da maior significação, para dar-se uma idéia, embora incompleta, da grandeza do Senhor J. Krishnamurti e de sua Mensagem. No tempo do Senhor Jesus Cristo, há 2.000 anos, na época, uma minoria da humanidade, amadurecida, reconheceu a magnitude de seu Ser e dos seus ensinamentos. Só aos poucos foi a sua Revelação se estendendo no mundo. O mesmo ocorre com o Senhor J. Krishnamurti, nos tempos atuais. O Messias já veio, cumpriu a sua Missão, e já retornou à sua Mansão celestial, e a maioria dos homens continua à sua espera. Magnos acontecimentos ocorreram em todo o planeta, mas a cegueira dos homens não permitiu vislumbrá-los. Muitos tomaram deles breve conhecimento, mas não atinaram com a importância, preferindo continuar na tradição. Daí que esta Introdução, embora redigida em curto tempo, precisa condensar a extensão e o esplendor dos Eventos. A elaboração desta Seleta tornou-se para nós um dever de consciência. Desde criança, convivemos com pessoas que estudavam as Mensagens da Teosofia e de Krishnamurti. Em 1935, quando esse pensador iluminado veio ao Brasil, tivemos a felicidade de assistir a conferências que ele realizou no Rio de Janeiro. Levado por amigo íntimo do tradutor, nos situamos, ambos, de pé, imediatamente atrás dele e de Krishnamurti. Em 1938 iniciamos a leitura de livros de Krishnamurti, e, a partir de 1942, a freqüentar a Instituição Cultural Krishnamurti (ICK), do Brasil. Desde 1944, em nossas palestras públicas, sempre que oportuno líamos textos do autor. Várias vezes apresentamos séries progressivas de seus ensinamentos, com troca de idéias. Na altura de 1944, começamos a elaborar um índice dos ensinamentos mais expressivos de Krishnamurti, à medida que compulsávamos as suas obras, o qual passou por sucessivos aperfeiçoamentos, útil às aludidas exposições, chegando a 15 cm de espessura. Graças a ele temos igualmente podido transcrever excertos do autor em nossos livros, panfletos e artigos – em “Sociedade, Transição e Futuro” (RJ, 1982, 728 ps.) mais abundantemente. Tendo assim obtido uma visão global das comunicações do autor, foi dito instrumento de grande valor para a organização da presente Seleta. Há mais de 30 anos integramos o quadro de associados da ICK e, durante cerca de 15 anos, pertencemos ao Conselho dos Sócios Efetivos (11); de 1982 a 1987 exercemos na Instituição o cargo de Diretor-Secretário; e de 1987 a 1991 o de Vice-Presidente. Inobstante, não passamos de mero estudioso da matéria; sobre ela nunca se chega a um fim, também porque uma coisa é o saber teórico e outra a vivência prática. Fomos levados à elaboração desta compilação por vários motivos. Um deles é a mais ampla divulgação da Mensagem do autor, pondo-a ao alcance de quem possa aproveitá-la. Ela é mais conhecida do que se possa imaginar, mas superficialmente. Em qualquer ambiente social, religioso, acadêmico, universitário, militar, científico, do povo esclarecido, há sempre quem conheça a importância de seus ensinamentos. Mas, conforme nossa observação, apenas um número reduzido de pessoas tem adquirido uma visão global dos mesmos. A grande maioria restringe-se à leitura de uns poucos livros. O resultado é que ficam com um conhecimento parcial, unilateral, sem a visão do todo. A presente Coletânea, salvo exceções, abrange as obras constantes da Bibliografia, em número de 160. Optou-se por capítulos pequenos, de 4 a 8 páginas, salvo exceções, para facilitar a leitura individual e o estudo em grupos. Inclui cada um deles excertos representativos, dentre os melhores encontrados. Cerca de 1/5 dos livros da Bibliografia, os últimos, principalmente, não chegaram a ser traduzidos e editados em português, mas eles foram por nós consultados, sendo os textos inovadores incluídos nos correspondentes capítulos. Como os ensinamentos do autor foram sendo crescentemente enriquecidos, ficaria esta Obra incompleta sem eles. Outro motivo que nos levou à realização desta Seleta é que a Mensagem em referência, destinada ao presente-futuro, visa essencialmente à mudança do homem, procurando elevá-lo a uma condição de pureza, maturidade, a nova dimensão espiritual. Com muita freqüência, diz Krishnamurti, em suas palestras, que tal transformação humana é urgente, inadiável. Daí a oportunidade desta Iniciativa. As Escrituras cristãs, hindus e budistas igualmente se referem ao Juízo e purificação dos homens neste “fim de tempos”. A Bíblia, entre outros versículos, em Malaquias III,2; Zacarias XIII,9; Ezequiel XXVI, 25; Sofonias III,11-12, Isaías XIII,11, e Mateus, Marcos, Lucas, e o Apocalipse também, em vários capítulos. Nessas fontes, os textos mais graves chegam a dizer que “os homens serão purificados como o fogo do ourives e o sabão dos lavandeiros, ficando livres das imundícies, e humildes e pobres”. O Vishnu Purana destina o Livro IV, cap. XXIV, e o livro VI, cap. I, a profecias para este período de Kali yuga. No primeiro lê-se: “Restabelecerá (a Divindade) a justiça sobre a terra, e os espíritos daqueles que vivem no fim da idade Kali serão despertados e por tal maneira se tornarão transparentes como o cristal”. As previsões do Budismo encontram-se nas Profecias dos Cinco Desaparecimentos, correspondendo a época atual ao quinto Desaparecimento, ocorrendo, no porvir, padecimentos, aflições, penúrias. Krishnamurti trata do assunto em muitos de seus livros, como se verá nos capítulos próprios. Num deles, como exemplo – O Egoísmo e o Problema da Paz, lê-se: (…) Tendes de pagar o preço da paz. Tendes de o pagar, voluntária e alegremente, e esse preço é o libertar-vos da luxúria, da malevolência, da mundanidade, da ignorância, do preconceito e do ódio. Se ocorresse em vós mudança tão radical, poderíeis cooperar para o advento de um mundo pacífico e sensato. Segue: Talvez não podeis evitar a Terceira Guerra Mundial, mas podeis 1ibertar o coração e a mente da violência e das causas que geram a inimizade e repelem o amor. Haverá, então, neste mundo lúgubre, alguns homens puros de mente e de coração, de cujas obras germinará, por ventura, a semente de uma verdadeira civilização. Purificai vossas mentes e corações, pois é somente pelas vossas vidas e vossos atos, que poderá haver paz e ordem. Não vos percais na promiscuidade das organizações, mas conservai-vos solitários e singelos. (…) (Idem, ps. 26-27)

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Seleta de Krishnamurti: 160 obras do autor”, de Jiddu Krishnamurti, publicado pela editora ICK, em 1986 e com 814 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: ICK

Páginas: 814

Ano: 1986

Edição:

Linguagem: pt_BR

ISBN:

ISBN13:

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Jiddu Krishnamurti é um convite a um mergulho lento e atento na mente e na experiência humana, onde o ritmo é mais contemplativo que acelerado. Seus textos alternam entre diálogos, meditações e reflexões que exigem do leitor uma postura aberta e questionadora, sem a ânsia por respostas prontas. A prosa, por vezes fragmentada e espontânea, cria uma atmosfera íntima, quase de conversa direta, que desafia conceitos e convida à liberdade interior. O tom é ao mesmo tempo rigoroso e acolhedor, trazendo uma tensão sutil entre o desejo de compreender e a necessidade de abandonar certezas. Em seu conjunto, os livros de Jiddu Krishnamurti exploram o autoconhecimento como caminho para uma transformação pessoal que reverbera no modo de viver e se relacionar.

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