
Título: Tudo que ancora em mim
Autor: Manoela Maia
Sinopse: Ancoramos nosso corpo no amor lendo Manoela. O amor da mulher, com a mulher e para a mulher que deságua e escorre para viver na escrita a beleza e a dor até o seu último dia-palavra. Não só o amor dedicado a outro ser, mas à vida, à si e ao relato fotográfico de um acontecimento onde está pulsante esse sentimento. Denotar a máxima intransitividade desse sentimento que nos move e por vezes nos para, nesse caso vindo de uma escritora, é dizer que o bloco de notas é “todinho seu”, ou seja, seus escritos transpiram amor. Quando ela se encanta ou cai junto no seu abismo; quando ela brinca ou quer viver junto dele o absurdo, quando suspira ou entrega as chaves a ele. Se o amor machuca para a poeta, vale a pena escorrer como água, dobrar seus joelhos para ele e sangrar. Como em Sophia de Mello Breyner Andresen, em Dia do Mar (1947), “nas tuas mãos trazia o meu mundo”. Começamos com os dedos molhados de suor lendo, fluímos como água-sangue nas veias, no toque e terminamos com os eles molhados de água salgada, lágrimas e gozo. A força da água está muito presente, como sendo a água o amor e vice-versa. Matilde Campilho, em Jóquei (2015) escreveu “os peixes respiram debaixo de água e se você mergulhar entre as rochas e se concentrar muito também vai conseguir”, em “Tudo Que Ancora em Mim” conseguimos respirar embaixo da água se nos concentramos nas suas linhas e entrelinhas. Saímos dele, então, com a sensação de que a vida é mulher, como em Hilda Hilst, em Alcóolicas (1990), “Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica: O êxtase de te deitares contigo. Beba. Estilhaça a tua própria medida.” Vamos juntos com o barco de Manoela em direção a esse furacão que nos arrasa e nos alegra, pois “um corpo é um corpo na medida da conexão com os outros”, e um livro é um livro também nessa medida. E esse livro nos conecta de tal forma que sentimos na pele do olhar a mulher ferina e ao fechá-lo, o cheiro da mulher poesia infinita, vivendo. - Cláudia Cesca
Contexto da obra
Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “Tudo que ancora em mim”, de Manoela Maia, publicado pela editora Urutau, em 2022 e com 96 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.
Editora: Urutau
Páginas: 96
Ano: 2022
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6559002926
ISBN13: 9786559002924
Sobre a editora
A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.
