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Um Jogo Bastante Perigoso

Título: Um Jogo Bastante Perigoso

Autor: Adília Lopes

Sinopse: Adília, que só foi a estudar Letras em 1983, lançou Um jogo bastante perigoso em 1985, ou seja, apenas dois anos depois de começar os estudos. A recém-nascida poetisa compreendeu rápido que muito está em risco quando se escreve poesia. O título desse livro é, portanto, uma coisa impressionante: porque a poesia (linguagem) é mesmo isso: um jogo bastante perigoso.Dona de uma imaginação única, sua poesia é capaz de dar rasteiras espetaculares no leitor, ao misturar vocabulário da mecânica quântica e citações cifradas a/de autores clássicos, com a lógica mental das vizinhas, das tias velhas, das bonecas de louça, a vidinha em Lisboa, as osgas (lagartixas, no português de Portugal), deixando-nos desamparados – e apaixonados.Mas não se engane: apesar da aparente doçura, vinda da observação atenta de um cotidiano que apenas na superfície não é espetacular, os versos de Adília nada têm de inocentes. A desconfiança que ela tem não é com a vida, é com a linguagem. Isso faz com seus poemas sejam quase uma denúncia contra ela. Nas palavras da própria Adília, em entrevista para Carlos Vaz Marques, em 2005: “(…) a linguagem também mascara muito o que a pessoa diz”.Agora, me digam: quão bonita é essa colocação? Nem Wittgenstei pra dizer uma lindeza dessas, bicho.Adília Lopes nasceu Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira em Lisboa, a 20 de Abril de 1960 (é, portanto, taurina, como Hilda Hilst e Karl Marx, outros dois heróis particulares desta que vos escreve). É uma poetisa, cronista e tradutora portuguesa. Estudou Física (reparem bem no poema “O presente”, deste livro: é uma tese sobre o gato de Schrödinger!). Abandonou a faculdade por conselho médico, devido a uma psicose esquizo-afectiva, episódio provavelmente gerado pelas questões filosóficas dentro do estudo da Física. Foi estudar letras em 1983 e começou a escrever. Em 1984 já estava sendo publicada por aí. Em 1985 veio este livro, bastante perigoso.Espero que depois dessa leitura, cara leitora, caro leitor, sua vida mude um pouquinho (pra melhor), como mudou a minha. Escrevo esse texto de apresentação como quem tem um passarinho bem pequenininho na mão, como quem encontra uma carta antiga num fundo falso de um baú na casa da vó; e diz pra alguém: olha isso!, como quem passa pra frente algo bastante perigoso precioso.Trecho da apresentação de Adelaide Ivánova

Contexto da obra

Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “Um Jogo Bastante Perigoso”, de Adília Lopes, publicado pela editora Moinhos, em 2018 e com 56 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.

Editora: Moinhos

Páginas: 56

Ano: 2018

Edição:

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 8592579929

ISBN13: 9788592579920

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,195
  • Altura (cm): 21,00
  • Largura (cm): 14,00
  • Espessura (cm): 0,80

Sobre o autor

A leitura dos livros de Adília Lopes é uma experiência marcada por uma prosa poética que mistura o íntimo com o cotidiano, numa tensão entre a simplicidade direta e a complexidade das emoções humanas. A autora trabalha com um ritmo que pode parecer fragmentado e solto, mas que revela uma construção cuidadosa de imagens e memórias. A voz que emerge é ao mesmo tempo frontal e terna, capaz de desarmar preconceitos e convidar o leitor a repensar o que entende por poesia. Há uma leveza que contrasta com a densidade dos temas abordados, como a infância, a linguagem e a própria condição do poeta. Esse equilíbrio entre confissão e citação cria uma leitura que desafia o esperado, propondo uma poesia nua, sem artifícios, mas rica em significado.

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Sobre a editora

A leitura dos livros da editora Moinhos revela um interesse constante pela complexidade das experiências humanas, muitas vezes exploradas em narrativas densas e intensas, que transitam entre a poesia, o romance e o ensaio. O catálogo privilegia obras que expõem conflitos íntimos e sociais, como a violência estrutural, as tensões de gênero e as contradições da memória, em contextos urbanos ou periféricos marcados por desigualdades. A linguagem costuma ser cuidadosa e reflexiva, ora lírica, ora incisiva, com ritmo que oscila entre o fragmentado e o fluido, convidando o leitor a mergulhar em atmosferas que vão do cotidiano à dimensão simbólica. Moinhos publica textos que se debruçam sobre a condição feminina, a marginalidade, o corpo e a linguagem, além de estudos literários que propõem leituras críticas e analíticas profundas.

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