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Vocabulário das Sombras

Título: Vocabulário das Sombras

Autor: Flávio Chaves

Sinopse: O JOGO DA POESIA (Maria de Lourdes Hortas) Perguntar a um poeta para que serve a poesia, talvez seja o mesmo que perguntar a Deus para que serve a vida. E o que é um poeta? Flávio Chaves diz; "Num biró noturno/ despacho a poesia". Com estes versos, assume seu ofício de poeta, procurando responder às interrogações que, como um rio, vêm atravessando os arcos do tempo: "Ao partir de mim não me dou limite todos os instantes separo-me de mim mesmo e consigo tocar a aventura e as estrelas". Cada livro de poesia é um cubo, se acrescentando ao grade "puzlle". No entanto, somente os poetas que tem em um tom próprio, conseguem inserir-se no jogo da poesia. Esse é, sem dúvida, o caso de Flávio Chaves. "expondo, palmo a palmo" sua "paisagem oculta", infiltra-se no indecifrável e constantemente visita os outros sem meu corpo estar em mim. Desse modo, embora as metáforas, as imagens e as alegorias tenham um nítido contorno autobiográfico, a poesia de Flávio Chaves inscreve-se muito além do mero registro ou inventário de sentimentos. Em outras palavras: embora as figurações da sua poesia sejam arremessadas dos calabouços interiores, vão curvar-se, como flechas, na realidade, fazendo-a sangrar. Na tentativa de se definir, Flávio Chaves redefine o próprio poeta. De tal modo que, não obstante a organização que o autor dá aos poemas deste livro, agrupando-os em três cadernos, parece-me que estamos diante de um único texto, onde as fronteiras entre prosa e poesia se diluem, numa assimilação dos processos mais atuais da linguagem literária. E, nesse longo texto, como personagem-narrador, Flávio Chaves não se situa de forma individual. Pelo contrário: fala-nos do controvertido personagem-poeta do nossos dias ser isolado, carregando o se destino no cenário deserto das "avenidas de navalhas" das grandes cidades. O texto poético é, pois, o cenário, onde se fundem o mundo interior e exterior, do mesmo modo que se entrelaçam o presente e o pretérito. Nele, o "clown" de todas as épocas, volta a representar o seu drama, doante de uma "platéia de homens noturnos", equilibrando-se na beira do abismo, onde procura as raízes da pureza primitiva: "enquanto houver platéia de homens noturnos deglutindo prato de pedras com palhas de desencanto assim nunca adormeço como quem morre mas como quem com o sonho projeta um catavento de flores e granitos (...)" Constata-se, assim, mais uma vez, que a obra de arte, para veicular uma notícia social, prescinde do enfoque linear das óbvias estruturas sócio-políticas. Numa época essencialmente científica e tecnológica, num tempo de tanta urgência e emoções descartáveis, o poeta continua a debruçar-se em sua mesa, dentro da noite, extraindo do silêncio a resposta para o enigma da existência. Expressão contundente de uma gomorra mergulhada em pestes e castigos, este longo poema é um "clarim noturno", ecoando pelos "bastidores do abismo atônito", às portas do apocalipse. Captando na vertigem da escrita a própria vertigem do carrossel que a transporta, a poesia de Flávio Chaves, desencadeada em ritmo convulsivo, confirma-nos que o lirismo continua sendo a notícia mais nítida que os seres humanos deixam de sipara os que seguirem: "Um descanso aceso aporta nesta ponte desolada que agora sou"

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Vocabulário das Sombras”, de Flávio Chaves, publicado pela editora Inojosa, em 1990 e com 120 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Inojosa

Páginas: 120

Ano: 1990

Edição:

Linguagem: português

ISBN:

ISBN13:

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