
Título: Volver ao Corpo
Autor: Luciana Gehard
Sinopse: Volver ao corpo, como um gesto, lhe oferece a mão e conduz os olhos pela beira de um rio até um ponto suspenso de sua paisagem: essa paisagem nada tem de regresso. Sua transformação é natural, do chão ao vento, do vento ao fogo, do fogo à água. O corpo, no entanto, é o lastro orgânico de uma permanência, aquele que aprende a presença com os cães. Volver ao corpo é um convite aberto à presença e à lembrança, a transpor-se no verso, mudar a fogueira de lugar, perceber do tempo a física, a gravidade e a resistência do ar, e a saber da ciência a química, meter a mão no sal para temperar a comida. Há aqui a mistura das línguas, do gosto e do gozo: hay vida en cada canto. Na ausência de idioma, tem as mãos como língua, toca fogo para destinar ao corpo a memória da faísca e a capacidade das águas de surpreender as labaredas. Grafa a curva do rio, levando-a no pulso do relógio. Pinça os gestos. Cria-se assim o mapa de um percurso, ao mesmo tempo em que se abre o espaço para que o vento entre e leve o mapa, se for o caso. Volver ao corpo para ser lida em espaço aberto, fora dos cômodos e das fechaduras, de dentro da pele porosa. Clara Delgado
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Volver ao Corpo”, de Luciana Gehard, publicado pela editora Urutau, em 2023 e com 60 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Urutau
Páginas: 60
Ano: 2023
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6559003906
ISBN13: 9786559003907
Sobre a editora
A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.
