
Título: Waldemar Inédito e Raro Henrique: Partituras
Autor: Waldemar Henrique
Sinopse: A Impressão de Composições de Waldemar Henrique Na Antiguidade, os povos do Oriente cultuavam a preservação do instrumento musical após a morte de pessoa a quem pertencera, e esta ação era equiparada à posse da alma de seus antepassados. Editar a música de Waldemar Henrique (1905-1995) no ano de seu centenário, é uma forma, também, de revivê-lo, de fixar em nós suas ideias, é passar, para os que virão, as íntimas vibrações que ecoaram no cérebro e no coração de nosso músico, ao compor suas obras. "Há uma exigência de comunicação na obra", disse Adorno, e o compositor sabe dos limites do código musica quanto à apreensão e expressão do total sentido de uma composição. A "rigidez" da nossa grafia é patente, por exemplo, quanto ao ritmo e suas inumeráveis possibilidades de ocupação do espaço sonoro; também no que diz respeito aos timbres, na diversidade de seus harmônicos, ou ainda se pensarmos na dificuldade de quantificar e grafar uma certa inflexão ou um "crescendo" mais voluptuoso que permita ao intérprete aproximar-se daquilo que o compositor pensou/sonhou. A impossibilidade de grafar todos os detalhes permite, paradoxalmente, a flexibilidade na execução musical. Estão muito longe de nós as tentativas de Gutenberg, moldando, secretamente, os primeiros tipos gráficos, assim como nem se sabe ao certo se é o Saltério de Mogúncia (1457), na sua coleção de Salmos acompanhados pelo saltério, o documento mais antigo de música impressa. É também uma aventura do pensamento voltarmos à rica Veneza do século XVI, centro de arte, cultura e comércio, onde foram impressas muitas músicas, já com tipos de metal, "e os músicos e patronos que iam pra lá, na volta podiam levar os últimos tesouros musicais não apenas em seus ouvidos, mas também em suas bagagens (Menuhim, Yehudi. A música do homem. São Paulo: Martins Fontes, 1981. p.80). Para o homem do Ocidente, a invenção da imprensa representou, além da expansão do conhecimento, aquele mesmo desejo de apropriação das ideias de um autor, no que elas refletem o seu íntimo, a sua alma. Foi surgindo, também, a singular atitude do prazer visual e do envolvimento tátil no contato com os títulos em relevo, as letras douradas, brochuras em couro, diversos tipos de papel, tudo fazendo parte do "prazer intelectual" de ler um livro, de segurar um álbum de peças musicais. No caso da presente publicação que nos oferece partituras inéditas de Waldemar Henrique, acresce a satisfação de poder cantá-las ou tocá-las ao piano e percorrer um caminho sonoro na Belém que ele conheceu, nos saraus de música e poesia, quando valsas, foxtrots, tangos - material fruto da sociedade - emigram para a obra; na Rádio Clube do Pará (PRC5), na garagem náutica do Clube do Remo, o nosso compositor brincava com os amigos Gentil Puget, Waldemar Godinho, Cazuzinha de Barros, Washington Costa, entre outros, compondo sambas e marchas carnavalescas, até aportar no mistério das lendas amazônicas com as composições Nayá e Japiym, que agora completam as Lendas Amazônicas, correspondendo, respectivamente, aos números 8 e 9 deste Ciclo (Claver Filho, Catálogo de Obras. In: Waldemar Henrique, o Canto da Amazônia. Rio de Janeiro: MEC/Funarte, 1978. p105-121). Todo esse material encontra-se agora editado, pronto a ser apresentado em público no seu original, ou ainda a instigar futuros arranjos de outros músicos na circulação e divulgação que o álbum terá. Composições inéditas de Waldemar Henrique. Isto merece ser celebrado. E está sendo, ao ser relembrado na data expressiva e cara a nós, paraenses, o seu centenário de nascimento, ocasião em que a Secretaria Executiva de Cultura oferece aos estudantes, professores e comunidade em geral, esta publicação. Em uma cidade onde a falta de partituras é uma dificuldade substancial e crônica para quem estuda música, a editora desta coleção inédita do Cantor da Amazônia é um momento luminoso. O nome de Waldemar Henrique não deve ser lembrado somente como o compositor de lendas do Extremo Norte. Sua captação do folclore nacional, as inovações que trouxe para a canção paraense garantem ao nosso compositor um ambicionado destaque na musicologia brasileira. Maria Lenora Menezes de Brito Mestre em Musicologia USP/UFPA
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Waldemar Inédito e Raro Henrique: Partituras”, de Waldemar Henrique, publicado pela editora Secult, em 2005 e com 182 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Secult
Páginas: 182
Ano: 2005
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 8573130466
ISBN13: 9788573130461
Sobre a editora
Os livros da editora Secult costumam trazer um olhar atento à memória, à história e à cultura regional, especialmente do Pará e da Amazônia. A leitura desses títulos evoca imagens vívidas de épocas passadas, como o cotidiano comercial do início do século XX ou a efervescência cultural do modernismo paraense. O tom das obras varia entre o documental e o poético, alternando entre narrativas densas e textos mais breves e reflexivos, que desafiam o leitor a pensar sobre identidade e expressão. O catálogo revela um compromisso com a preservação e o resgate de registros históricos, artísticos e culturais, muitas vezes apresentados em formatos ricos em imagens, documentos e ilustrações. Essa diversidade editorial sugere que a Secult valoriza tanto o rigor da pesquisa quanto a força da linguagem sensível.
