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A vida verdadeira de Domingos Xavier

Título: A vida verdadeira de Domingos Xavier

Autor: Luandino Vieira

Sinopse: «De todos os cantos da prisão chegaram vultos que se sentaram, silenciosos, à volta do irmão a morrer. Um moço tirou seu velho casaco de fardo e cobriu com ele o peito pisado e rebentado do tractorista. Só a cara estava agora descoberta, banhada na luz da lua entrando na janela. O velho bêbado continuou a choramingar no seu canto. A lua espreitava nas frinchas, nas janelas altas, e veio cobrir na cara serena e tranquila de Domingos Xavier. O sangue foi correndo, noite fora, cada vez com mais devagar, respiração cada vez mais fraca, a cara esmagada virando naquela cor esbranquiçada da morte. O moço que estava espreitar atrás de várias cabeças arriscou mesmo baixinho: - Aiuê! Parece é, tá dormir ainda... Verdade mesmo, Domingos Xavier dormia para os seus irmãos, feliz em sua morte, de madrugada, com a luz da lua da sua terra a sair embora para contar depois, todas as noites, a história de Domingos Xavier.» Domingos António Xavier, o tractorista, nunca fizera mal a ninguém. Só queria o bem do seu povo e da sua terra. E por lhes querer bem não falou os assuntos do seu povo nem se vendeu. E por lhes querer bem o mataram. E por isso, no dia da sua morte, ele começou a sua vida de verdade no coração do povo angolano.

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “A vida verdadeira de Domingos Xavier”, de Luandino Vieira, publicado pela editora Caminho, em 2003 e com 116 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Caminho

Páginas: 116

Ano: 2003

Edição:

Linguagem: português

ISBN:

ISBN13: 9789722115605

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Luandino Vieira revela um universo narrativo marcado por uma prosa densa e por vezes enigmática, onde o ritmo oscila entre o urgente e o contemplativo. A escrita traz uma tensão constante entre o íntimo e o coletivo, com personagens que parecem carregar o peso da memória e da história em suas ações e silêncios. Em muitos momentos, a narrativa se aproxima do fluxo de consciência, exigindo do leitor uma atenção aguçada para decifrar sentidos e emoções subjacentes. A linguagem incorpora elementos da oralidade e da cultura local, criando imagens vívidas de ambientes como os musseques e as prisões, que funcionam como cenários de resistência e transformação. Essa experiência de leitura convida a refletir sobre a complexidade da identidade e da luta, deixando perguntas abertas sobre o passado e o futuro.

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    Sobre a editora

    Os livros da editora Caminho costumam explorar temas sociais, históricos e políticos com uma linguagem que varia entre o rigor e a leveza irônica. O catálogo traz narrativas que transitam entre o drama humano e a reflexão crítica, muitas vezes ambientadas em contextos marcados por conflitos, mudanças sociais e dilemas éticos. A experiência de leitura pode ser tanto densa e metafórica quanto acessível e direta, com obras que dialogam com a memória coletiva e a cultura, incluindo poesia, crônicas e ficção. O tom ora é sóbrio, ora irônico, e o ritmo pode oscilar entre a fluidez narrativa e a intensidade reflexiva, convidando o leitor a pensar sobre o tempo, a história e a condição humana.

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