
Título: As jaboticabas para Maria
Autor: Débora Andrade
Sinopse: "não sei o que te dizer. já fazem o quê? uma década? mais? não lembro quando foi nossa última conversa, já tivemos alguma? em mim é tudo confuso, como se um amontoado de silêncio se enroscasse, não há ponta, início ou fim. há apenas, apenas um meio onde tudo acontece. como não sabendo fazer outra coisa, sobrevivi. sim, verdade, eu era apenas criança. na leveza do meu ser menina, abracei o mundo de peito e braços abertos, até que tanto pesou o peso do mundo que fui ficando soterrada pela minha bravura. não se preocupe, eu não despenquei, deixe-me ser clara, ninguém me ensinou a despencar. como assim? eu fui menina mulher em um tempo em que heroínas não podiam fraquejar. chorar era ofertar material para ser ainda mais sucateada e o relógio do progresso não me dava tempo de salgar com lágrimas as minhas feridas. eu tive que reagir, tantas e tantas vezes. você me entende? não? é que dá última vez que, de perto, olhamos o mundo, ele era outro. eu guardava em meio seio de menina a utopia de ser protegida, cuidada, guardava o sonho de ter no mundo um lugar melhor. "
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “As jaboticabas para Maria”, de Débora Andrade, publicado pela editora Libertinagem, em 2023 e com 50 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Libertinagem
Páginas: 50
Ano: 2023
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6584688682
ISBN13: 9786584688681
Sobre a editora
Os livros da editora Libertinagem trazem uma leitura marcada por vozes intensas e subjetivas, que frequentemente exploram emoções cruas e experiências pessoais em narrativas densas e poéticas. O catálogo revela uma preferência por textos que transitam entre o fluxo de consciência e a poesia, com um tom introspectivo e às vezes melancólico, onde o cotidiano e o íntimo se entrelaçam com temas como memória, dor, e relações humanas. Há obras que se aprofundam em conflitos internos e existenciais, enquanto outras apresentam relatos de ambientes sociais e comunitários, sempre com uma linguagem que privilegia o sensorial e o emocional. O material de apresentação indica que a editora valoriza uma escrita que não se prende a formatos tradicionais, mesclando prosa e poesia, e que pode oscilar entre o narrativo e o fragmentado.
