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Dinâmica da evaporação de corpos sólidos

Título: Dinâmica da evaporação de corpos sólidos

Autor: Alexandre Boide

Sinopse: A idade da pedra de São Paulo na velocidade do fim do mundo. O vício do crack, e tudo o que o cerca, nunca havia sido retratado como nesse Dinâmica da evaporação de corpos sólidos, de Alexandre Boide. Como ex-adicto, não em crack, mas em cocaína, conhecedor da etiqueta e das regras sociais que regulam a vida entre “noias”, me vi muitas vezes tragado pelas páginas que narram o ciclo sem fim do “descolar-e-usar”, da brisa que a “dinâmica da evaporação daqueles pequenos corpos sólidos” oferece pra quem se envolve na esparrela do vício em algum tipo de droga pesada. Da forma como o autor vai delineando a vida de seus personagens, trata-se de um verdadeiro romance de (de)formação — a vacuidade e o despropósito de uma geração de jovens de classe média que simplesmente se entregam a um ritual que os apresenta a um “eu maiúsculo” que não parecia ser possível na monotonia da vidinha besta e regrada de um grande centro urbano. “A gente achava que não ia morrer nunca. Ou então estava a fim de morrer logo”, é o que diz o protagonista. Pra mim, a adicção sempre esteve nesse fio da navalha de crer inconscientemente numa imortalidade ou de se precipitar rumo ao fim, e o livro é muito hábil em apresentar situações e sensações que dimensionam esses caminhos. Como Boide bem coloca: “O passado é matéria maleável, e as falhas na estrutura podem ser preenchidas pelo cimento da invenção. Sem o rigor do arqueólogo, mas com a disposição do coletor de sucata, ele precisa revirar as ruínas de sua própria memória para reconstituir sua vida na idade da pedra”. O cenário da escavação é o bairro do Ipiranga e arredores — um reduto tradicional de classe média de São Paulo, nem tão glamoroso quanto a Zona Oeste dentro do Centro expandido da capital paulista, nem tão entregue ao deus-dará quanto suas periferias, e um tanto apartado da temida cracolândia —, um espaço ainda pouco explorado no universo ficcional e o cenário perfeito pra tratar do crack indo além da caricatura. Inclusive, é impossível não pensar que tudo o que é relatado neste livro poderia servir de argamassa criativa pra outro grande cronista do Ipiranga, o rapper Ogi, muito celebrado por mostrar uma São Paulo que não se limita aos estereótipos. Preparem-se para o “tuim” dessa viagem…

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Dinâmica da evaporação de corpos sólidos”, de Alexandre Boide, publicado pela editora Urutau, em 2024 e com 152 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Urutau

Páginas: 152

Ano: 2024

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 6559006263

ISBN13: 9786559006267

    Sobre a editora

    A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.

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